01/04/11 - 01/05/11 ~ Cine Mosaico

CinEnquente: Mães inesquecíveis do cinema

Olá pessoas! Estamos preparando um post especial para o dia das mães e precisamos da ajuda de vocês, nobres leitores. Começamos uma enquete no nosso twitter com uma pergunta bem simples: "Qual foi a personagem-mãe mais marcante do cinema?". Tivemos alguns retornos:

O @flaviociso e a @deiseluz indicaram a mãe Antonia (A excêntrica família de Antonia) interpretada por Willeke van Ammelrooy. O @amaurirenan indicou Beverly D'Onofrio, personagem de Drew Barrymore em "Os garotos da minha vida". @JLinno indicou a Senhora Muller, personagem de Viola Davis em "Dúvida". A @LyanaMunt indicou a Mrs. Gump interpretada por Sally Field em "Forrest Gump - O contador de histórias". O @msdenardin respondeu a mãe de Norman no filme "Psicose" e por fim o @raspante indicou a Selma de "Dançando no Escuro", interpretada pela cantora Björk.

Participe também! Não precisa necessariamente ser a mãe mais amorosa ou carinhosa. Vale mãe implicante, mãe engraçada, mãe muito louca, enfim... Twitte com o Cine Mosaico ou Deixe seu voto no comentário desse post.

-----    ----     --     -

Algumas sugestões de filmes:

Tudo sobre a minha mãe
Requiem para um sonho
Plano de vôo
Fargo
Uma prova de amor
Kill Bill
Lado a lado
Juno
O Bebê de Rosemery
Minhas mães e meu pai
Preciosa
A Troca
.

A garota da capa vermelha (Red Riding Hood)

Não dá para saber exatamente o motivo de tantas releituras dos contos clássicos, mas que é muita coincidência que eles estão ganhando várias versões no cinema ninguém pode negar. Além de A garota da capa vermelha, vimos recentemente, a versão da Disney para Rapunzel em Enrolados e ainda veremos logo mais A Fera, versão do clássico da animação e ganhador de Oscar por melhor filme, A Bela e a Fera.

Com um tom mais de terror, ou pelo menos esta é a intenção, A garota da capa vermelha narra a famosa história de chapeuzinho vermelho, com traços mais adultos e muito suspense em sua trama. Temos um grande mistério: o que, ou quem, será este lobo que atormenta um povoado a pelo menos duas gerações? Romance e uma pitada de sexo também temperam essa releitura da famosa história da menina que levará doces à vovozinha.

Valerie (Amanda Seyfried – Cartas para Julieta) é uma bela garota apaixonada pelo forasteiro Peter (Shiloh Fernandez - RED), mas encontra-se prometida em casamento ao rico Henry (Max Irons – O retrato de Doryan Gray). Inconformados com a situação, Valerie e Peter planejam fugir, até que descobrem a morte da irmã mais velha de Valerie, assassinada pelo lobo que vaga pela escura floresta que rodeia o vilarejo onde moram.

A população recorre a um famoso caçador de lobisomens, o padre Solomon (Gary Oldman – Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban), com a intenção de matar o monstro. O número de mortes cresce a cada lua vermelha, e Valerie começa a desconfiar que o lobisomem possa ser alguém que ela ama, pois é a única que consegue comunicar-se com o lobo e não é atacada por ele.

Com o tom de suspense sempre presente na narrativa do filme, A garota da capa vermelha, nos leva a uma sociedade medieval com traços políticos e conflitos humanos muito atuais. Não levava este filme tão a sério, principalmente ter a direção de Catherine Hardwicke (a mesma diretora do primeiro filme da saga Crepúsculo), mas no final não o achei tão ruim assim. Vale os quase 100 minutos de distração.

ficha

A garota da capa vermelha

Título Original
Red Riding Hood
Direção
Catherine Hardwicke
Roteiro
David Johnson
Elenco
Amanda Seyfried, Shiloh Fernandez, Max Irons, Gary Oldman
Duração
100 min
Gênero
Terror | Mistério | Suspense | Fantasia
Ano
2011

Pânico 4 (Scream 4)

Nova década, novas regras. Ou, talvez, as regras não sejam tão novas assim.

No último dia 15, Pânico 4 estreou nos cinemas de todo o mundo e, assim, onze anos depois do último filme da série, o Ghostface está de volta. A direção continua sendo de Wes Craven, e o roteiro de Kevin Williamson (responsável por todos os roteiros da franquia, com exceção do Pânico 3).

A história se passa na velha conhecida Woodsboro, quando Sidney Prescott (Neve Campbell) volta à cidade natal para lançar Out of the Darkness, livro de auto-ajuda de sua autoria. O retorno de Sidney - conhecida entre seus conterrâneos como "Anjo da Morte" - desperta um novo massacre, que tem início no núcleo de amigos de sua prima Jill (Emma Roberts).

Além dos veteranos (ou melhor, sobreviventes) - a jornalista Gale Weathers (Courteney Cox), o policial Dewey (David Arquette), e a própria Sidney - há também novas personagens. O filme apostou, para a composição do elenco, em estrelas de seriados famosos. É o caso de Hayden Panettiere (Heroes), Kristen Bell (Veronica Mars), Adam Brody (The O.C), Anthony Anderson (Law and Order) e Anna Paquin (True Blood).

Com tantas caras novas, e se esforçando em captar os efeitos da passagem dos anos, o filme procura se apropriar de elementos contemporâneos: para o Ghostface ficar só no telefone é coisa da década passada. Agora ele usa o facebook e aplicativos do iPhone para amendrontar ainda mais as suas vítimas. É assim que temas como a superexposição e a fama trazidas pela internet ganham destaque. E tudo isso é abordado de modo metalinguístico e quase didático (como na cena em que um grupo de nerds cinéfilos traça o perfil do serial killer do nosso tempo).

Além da adição dos elementos tecnológicos (o filme parece, a todo tempo, querer nos dizer: "chegamos ao século 21"), não há nada de muito novo. Os sustos continuam óbvios e a fórmula é a mesma de sempre, sendo agora usada de forma debochada e caricatural. Os traços de comédia, por exemplo, que sempre foram característicos da série, mostram-se desnecessários em alguns momentos. Na ânsia de agradar e conquistar o público o roteirista exagerou na dose, tornando o humor um recurso fácil e banalizado. Surpresa e susto mesmo só o que levamos quando vemos o resultado das plásticas da atriz Courteney Cox.

Seja como for, para os fãs da franquia - e aqui eu me incluo - o retorno da série é motivo de felicidade, assim como a promessa de uma nova trilogia é motivo de expectativa. E alguns bons momentos nos fazem recordar o porquê da série Pânico ser uma peça importante do cinema de suspense e terror. A cena em que Kirby, a carismática personagem de Hayden Panettiere, cita todos os remakes de terror já feitos - simbolizando a reverência ao gênero e a metalinguagem que são características desde o primeiro filme - é um desses bons momentos. E se um sujeito de voz rouca me telefonar perguntando qual o meu filme de terror preferido, certamente respondo Pânico (ok, vem logo depois de O Bebê de Rosemary e O Nevoeiro, mas já é alguma coisa).

ficha

Pânico 4

Título Original
Scream 4
Direção
Wes Craven
Roteiro
Kevin Williamson
Elenco
Lucy Hale, Courtney Cox, Neve Campbel, David Arquette, Hayden Panettere, Adam Brody, Shenae Grime, Dane Farwell
Duração
111 min
Gênero
Terror | Mistério | Suspense
Ano
2011

As Horas (The Hours)

A insatisfação e o fracasso são temas de um drama sensível que retrata os conflitos humanos em diferentes épocas. "As Horas", filme baseado no romance homônimo de Michael Cunningham, acompanha um dia na vida de três mulheres que compartilham experiências semelhantes mesmo tendo vivido em tempos tão distantes.

A primeira cena de "As Horas" se passa no em 1929 e descreve toda a carga dramática que o filme expõe em suas quase duas horas de duração. Vemos uma mulher até então desconhecida, vestida em trajes rigorosos andando em direção a um rio. Ela está determinada a por fim a própria vida.

A moça em questão é Virginia Woolf (Nicole Kidman), uma escritora que está começando a escrever seu mais novo livro intitulado "Mrs. Dalloway". Afastada da vida agitada de Londres por influência do marido, Woolf vive sob cuidados médicos numa pequena cidade do interior e manifesta um desequilíbrio emocional ao se sentir sufocada no ambiente onde se encontra. A narração da cena inicial, feita por ela mesma, expõe a sua infelicidade ao acreditar que está sendo um empecilho na vida do marido.

Longe daquele local na Los Angeles de 1949, o espectador acompanha um dia na vida de Laura Brown (Juliane Moore). Aparentemente, Laura vive nos padrões esperados para um moça da época. Casada, mãe, dona de casa e grávida, ela ainda arruma tempo para planejar uma festa de aniversário para o marido. O detalhe é que justamente nesse dia, ela não consegue parar de ler o "Mrs. Dalloway" de Virginia Woolf.

Já nos dias atuais, conhecemos Clarissa Vaughn (Meryl Streep), uma editora de livros que vive em Nova York. Clarissa está planejando uma festa para Richard (Ed Harris), um escritor e ex-amante que hoje enfrenta a Aids. O dia de Clarissa passa por diversas turbulências e todos esses acontecimentos são descritos no livro de Virginia Woolf, escrito há mais de 70 anos.

Temos então 3 histórias interligadas. Virginia está escrevendo, Laura está lendo e Clarissa está "vivendo" a história do livro. Épocas diferentes, mulheres diferentes, contextos diferentes, mas no fundo o sentimento das três é o mesmo: decepção. Seja no casamento ou na carreira profissional, todas elas carregam consigo a dor de não terem conseguido alcançar seus objetivos.

As três personagens impressionam pela capacidade de transmitir seus sentimentos de uma maneira consistente e sem máscaras. O trio formado por Nicole Kidman (irreconhecível no papel, diga-se de passagem), Juliane Moore e Meryl Streep sustenta o filme com interpretações maravilhosas. A competência desse elenco de peso somado a ambientação das três épocas distintas é o destaque dessa produção. Houve um trabalho eficiente em fotografia, cenários e trilha sonora, que contribuem para diferenciar os locais onde se passam essas histórias tão semelhantes e diferentes ao mesmo tempo.

Apesar das várias idas e vindas de tramas paralelas, "As Horas" não é um filme difícil de entender. Revelando os momentos mais complicados na vida de seus personagens, ele é uma daquelas obras que permanecem na memória horas depois do término, nos levando a refletir sobre a opressão que essas mulheres sofreram, devido a uma cobrança da sociedade por uma postura "ideal" que elas deviam manter.

O resultado disso é mostrado da maneira mais crua e dramática possível. As situações extremas vivenciadas pelos personagens são de fácil identificação com o espectador, afinal todos nós vivemos as horas, os períodos, as dificuldades, os relacionamentos... Não estamos isentos de resultados negativos em todas essas experiências. Um filme marcante com ótimo roteiro e interpretações memoráveis.

Os clichês da comédia romântica.

Certo que a comédia romântica já virou sinônimo de clichê. Tem o melhor amigo esnobado que revela suas qualidades e se transforma no par perfeito (vide "De Repente 30"); tem a dupla que não se suporta mas que forma um casal feliz no final do filme (vide "A Verdade Nua e Crua"); e tem a mocinha normalmente estabanada, azarada e correta de sempre (vide "Letra e Música", "Amor à segunda vista" e muitos outros). Mas como a lista não para por aí, eu, que gosto bastante de comédias românticas e que não tenho nada contra lugares comuns, resolvi listar os meus clichês preferidos do gênero:

1. Crianças legais demais ou inteligentes demais pra existirem de verdade

Em "Simplesmente Amor" Thomas Sangster interpreta o enteado de Liam Neeson. Ele fala como adulto conseguindo a proeza de não parecer um chato.

Nem a menos clichê das comédias românticas foge de um lugar comum: a promissora atriz Chloë Moretz (a "Hit Girl" de Kick-ass) faz, em (500) Dias com Ela, o papel da irmã mais nova de Joseph Gordon-Levitt (A Origem). Ela dá conselhos muito maduros sobre a vida amorosa do irmão.

2. Vidas que se entrelaçam

Não sei se a tendência de filmar várias "vidas" e personagens paralelas foi algo que começou com o ótimo "Simplesmente Amor", mas o certo é que já são vários filmes investindo nessa fórmula. É o caso de "Idas e vindas do amor" e "Ele não está tão afim de você" - ambos bem ruinzinhos por sinal.

3. A mocinha que, depois de um relacionamento traumático, não quer se envolver

Sexo sem compromisso, Amor à distância e Amor e outras drogas são filmes com uma característica em comum e ela está logo aqui abaixo:

Emma (Natalie Portman), Erin (Drew Barrymore) e Maggie (Anne Hathaway), em maior ou menor grau, e por diferentes motivos, fazem o tipo da mocinha que mantém os dois pés atrás quando o assunto é relacionamento.

4. Performances musicais

Tudo bem, eu reconheço que esse não é um clichê tão forte quanto os demais, mas é que eu precisava de um pretexto pra postar o vídeo que segue. E tudo bem que Heath Ledger cantando "Can't take my eyes off you" em 10 Coisas que Eu Odeio em Você é quase uma unanimidade, e tudo bem que Bill Nighy interpretando "Christmas Is All Around" em Simplesmente amor é hilário, mas a minha performance preferida está mesmo em "Letra e Música", uma das comédias românticas mais legais, e com um dos pares mais carismáticos em que se pode pensar: Hugh Grant + Drew Barrymore. O personagem do Grant é um cantor pop decadente que fez sucesso nos anos 1980, e por isso um videoclipe foi especialmente feito pro filme. "Pop goes my heart" é o hit fictício da ex-banda fictícia de Grant, a PoP! Impagável, absolutamente impagável.

video

Rio

João Linno / @JLinno

Considerando o fato de que o Brasil (sobretudo o Rio de Janeiro) vai sediar dois eventos de proporções globais daqui a poucos anos, Rio chega aos cinemas mundiais num momento bastante favorável. Funcionando mais como um belo guia turístico do que uma aventura cômica, o filme descreve o Rio de Janeiro como o paraíso na terra, tendo em seu visual o maior mérito de toda a produção.

Na história, Blu (voz de Jesse Eisenberg, A Rede Social, Adventureland) é uma arara azul que nasceu no Rio de Janeiro mas, capturada na floresta, foi parar em Minnesota, nos Estados Unidos (ou "Not-Rio", segundo a legenda do filme), onde é criado e "mimado" por Linda (Leslie Mann). Após anos convivendo com a garota, Blu descobre que é o último macho da espécie e precisa ir ao Rio de Janeiro para encontrar Jade (voz de Anne Hathaway, Amor e outras drogas), uma arara fêmea com quem viverá altas aventuras em terras brasileiras.

Carlos Saldanha, diretor brasileiro responsável pelo sucesso da trilogia A Era do Gelo, retratou cuidadosamente o local onde nasceu, deixando transparecer uma visão bastante saudosista da cidade maravilhosa. Do vôo por cima do Cristo Redentor, a uma panorâmica por traz da favela que termina numa bela imagem da baía de Guanabara, o filme impressiona pelo realismo das imagens, sempre "pintadas" com cores vivas e quentes.

A escolha da trilha sonora (contribuição de Sérgio Mendes e Carlinhos Brown), é mais um dos pontos fortes da animação. Mistura clássicos do próprio Sérgio Mendes (Mais que nada, Valsa Carioca) e de cantores influentes na MPB como Bebel Gilberto a música eletrônica do Will.i.am e Jamie Foxx (que também participam da dublagem original do filme).

Por outro lado, o roteiro pouco ousado assinado por Don Rhymer (o mesmo da série Vovó... Zona), tira um pouco do potencial narrativo que a história teria se fosse pensada com mais cuidado. Mas nada que prejudique a beleza e os encantos dessa importante produção. Rio não é inovador na sua abordagem, mas vai ficar marcado como um belo cartão postal com mais efeitos positivos do que qualquer campanha turística que já tenha sido feita no Brasil ou "lá fora".

JCVD

João Linno / @JLinno

Jean-Claude Camille François Van Varenberg, ou simplesmente Van Damme. O lutador profissional que saiu de uma pequena cidade na Bélgica para se tornar um dos mais famosos ícones do cinema de ação em hollywood. Quem não se lembra do estrondoso sucesso de O Grande Dragão Branco, KickBoxer, Soldado Universal e tantos outros exemplos de filmes explosivos.

Mas não é nessa categoria de filme que JCVD se enquadra, apesar de várias referências ao estilo e a seus principais defensores. O filme autobiográfico de Van Damme surpreende justamente por ir contra toda aquela imagem construida sobre o ator em toda a sua carreira. Sob a direção de Mabrouk El Mechri, o filme revela a fragilidade e a frustração de um astro hollywoodiano em decadência.

Van Damme, o mito das artes marciais não aparece imponente distribuindo seus poderosos golpes nos adversários. Ele está quebrado. Lutando pela guarda da filha, envolvido com drogas, esquecido pelos produtores e sem dinheiro. É estranho vê-lo dessa forma, ao mesmo tempo é uma experiência interessante, que nos leva a entender os fatores responsáveis pela ascensão e queda do artista.

Há quem alegue que nenhum daqueles astros da escola de ação dos anos 80 era "ator de verdade". Para mim, pouco importa. Se o objetivo daqueles filmes era entretenimento descartável, porque não colocar lutadores de verdade para dar porrada? Nada mais óbvio. Mas em JCVD, não é isso que está em jogo. Com uma direção competente e atuação corajosa, o filme mostra um retrato fiel de um personagem desiludido com a fama, dinheiro, mulheres e amizades.

Van Damme surpreende em sua interpretação. A cena principal, um monólogo onde o ator expõe toda a sua insatisfação com pessoas envolvidas na sua carreira, é a prova de que ele não poupou a sua imagem de herói em função do filme. Pode parecer fácil interpretar a si mesmo, mas nem todo astro porradeiro estaria disposto a admitir que falhou - em todos aqueles filmes de ação, eles sempre resolvem tudo, não é mesmo?

As Virgens Suicidas (The Virgin Suicides)

João Linno / @JLinno

Tão belo e delicado quanto suas personagens principais, as garotas Lisbon, "As Virgens Suicidas" traz um retrato singelo de uma família extremamente conservadora em meio a uma geração movida a sexo, drogas e rock'n roll.

O filme é baseado no livro homônimo de Jeffrey Eugenides e narra a história de cinco garotas sonhadoras do interior que, por conta de uma criação rígida dos pais, vivem oprimidas em casa. O mistério que cercava as irmãs Lisbon aumenta ainda mais quando Cecília, a irmã mais nova, comete suicídio durante uma festa planejada especialmente para ela.

A partir desse acontecimento, as vidas de Therese (Leslie Hayman), Mary (A.J. Cook), Bonnie (Chelsea Swain) e Lux (Kirsten Dunst) mudam completamente. Enquanto alguns garotos da vizinhança seguem tentando conquistá-las, as garotas se isolam ainda mais nos seus pensamentos e sonhos de mundo perfeito. Mesmo sabendo que o destino das garotas será trágico, é impossível não torcer por elas, principalmente quando o contato com os garotos é permitido pelos pais.

Kristen Dunst com apenas 17 anos de idade já demonstrava talento e exibia uma beleza que se destacava entre as outras garotas da família. O filme foi uma grande oportunidade de ela alavancar sua carreira promissora em hollywood. Outro ponto que se destaca é a trilha sonora do filme, como já destacamos nesse post aqui. Ela é inteiramente composta pelo duo francês Air, e conta com várias músicas da década de 70 como trilha secundária.

Percebe-se claramente que "As Virgens Suicidas" é daqueles filmes feitos com bastante carinho por alguém que se arriscou em acreditar numa história no mínimo incomum. A diretora Sophia Copolla em seu trabalho de estréia no cinema demonstra firmeza e maturidade à frente de um projeto com um tema denso e complicado. Traz uma combinação perfeita de bela fotografia, trilha e narrativa cativante e personagens que deixam saudades quando a história termina.

Uma Manhã Gloriosa (Morning Glory)

João Linno / @JLinno

Todos os dias eles invadem os lares das pessoas em todas as partes do mundo. Trazem notícias "quentinhas", ensinam receitas e entrevistam celebridades, enquanto o telespectador toma tranquilamente a sua xícara de café. Os programas de TV matutinos são um exemplo perfeito do uso da informação como entretenimento, conceito que nem sempre é bem visto por quem defende um jornalismo sério e de credibilidade.

Sem a pretensão de se tornar um clássico da comédia romântica, Uma Manhã Gloriosa (Morning Glory) traz uma divertida discussão sobre os conceitos do jornalismo moderno , mostrando os bastidores de um programa de TV que precisa com urgência melhorar a sua audiência pelas manhãs. A história apresenta Becky Fuller (Rachel McAdams), uma produtora recém contratada pela IBS para tirar da lama o DayBreak, programa de pior rendimento da emissora.

Para ter sucesso em sua nova empreitada, Becky precisa lidar com "a terceira pior pessoa do mundo". Mike Pomeroy (Harison Ford), um sujeito ranzinza com cara de poucos amigos. Há mais de 40 anos exercendo a função de jornalista e com dezenas de prêmios no currículo, Mike é contratado para substituir o antigo apresentador do DayBreak. Ele se acha no direito de exigir certas regalias, afinal, ele é um jornalista sério. Foi repórter durante a guerra na Bósnia, cobriu o atentado de 11 de setembro, presenciou epidemias em países pobres, ou seja, já estava acostumado com todo tipo de desastre.

Colleen Peck (Diane Keaton), a outra âncora do programa, é o perfil completamente oposto. Uma apresentadora ao estilo Ana Maria Braga que adora cozinhar, bater papo com os convidados, tudo sem compromisso. A grande tarefa de Becky é amenizar a guerra de egos entre eles, encontrando um meio termo entre informação sisuda e entretenimento nas manhãs televisivas. Além disso, a garota precisa alcançar bons resultados com uma equipe fraca e desmotivada, além de um orçamento reduzido. No meio dessa confusão, Becky conhece Adam (Patrick Wilson), com quem vai (tentar) ter um relacionamento amoroso.

Dirigido por Roger Michell (Um lugar em Notting Hill), a trama tem em seu trio de protagonistas o ponto chave para conquistar o público. Harison Ford encarna o famoso clichê do homem durão mas que no fundo demonstra certa fragilidade por conta de uma relação conflituosa com a família. Já Rachel McAdams, muito competente em cena, faz a garota doce e atrapalhada típica das comédias românticas, e Diana Keaton com seu jeito extravagante traz uma dose de humor a trama, ainda que não renda gargalhadas durante o filme.

Quase não sobra tempo para o romance na história. O roteiro de Aline Brosh McKenna, responsável por adaptar O Diabo Veste Prada para o cinema, faz uma crítica válida a função jornalística nos tempos atuais. Uma Manhã Gloriosa é uma comédia leve e convencional, com um elenco que vale a pena ser visto. Poupa o espectador do melodrama barato, tendo apenas a diversão como foco central e alcança um resultado final interessante.

Ir ao cinema - missão: impossível.

Deise Luz / @DeiseLuz

Conversas em voz alta, barulho de pipoca, o telefone celular que toca, a lata de refrigerante que é aberta, os comentários feitos a cada ação - por mais irrelevante que seja - dos personagens do filme.

Contra todo esse acervo de sons e movimentos os "shhhhh" dos que esperam ter algum sossego numa sala de cinema parecem mesmo ser inúteis. Vários cinéfilos já escreveram em seus blogs sobre a tarefa difícil - quase impossível - na qual o antes muito simples ato de ver um filme vem se transformando.

Como disse esse blog, de nada adiantam aqueles vídeos que antecedem os filmes e que ditam a conduta adequada, porque as pessoas parecem agir exatamente da maneira oposta.

Este outro blog publicou um verdadeiro guia de boas maneiras com dez pontos, com os quais faço coro, destacando alguns deles:

Os cinemas são, cada vez mais, extensões das praças de alimentação dos shopping centers. O objetivo aqui não é tirar o direito sagrado às guloseimas de que todo ser humano dispõe, mas é que não custa nada recorrer a opções menos barulhentas e que incomodem menos, né mesmo? Por que não comer o hamburger antes do filme? Ninguém merece o cheiro de fast food tomando todo o ambiente.

Não, a ideia não é falar baixinho. A ideia nem sequer é atender discretamente. A ideia é mesmo não atender. Simples assim, e ponto final.

Não dê uma de Rubens Ewald Filho em dia de cerimônia do Oscar. Por mais que a gente esteja empolgado com o filme, ficar nessa de comentar cada cena é um ato absolutamente desnecessário e irritante.

Essa questão das boas maneiras ou da falta delas parece ser um tema bem próprio dos dias atuais e ter a ver com o fato do cinema ter se tornado - hoje muito mais que ontem - uma mercadoria. Como disse o professor André Setaro, cinéfilo de longa data e um dos mais revoltados críticos do comportamento assumido pelos frequentadores de agora,

A sociedade de consumo tirou a condição de cinéfilo para torná-lo, via a propaganda massiva, um mero consumidor de filmes. A maioria das pessoas que vai ao cinema hoje é constituída de consumidores e não de cinéfilos. O ir ao cinema atualmente é apenas uma das fases do 'shoppear'.

É muito difícil encontrar quem não tenha uma história pra contar. Um barraco, um bate boca etc. Falar com o lanterninha nem sempre ajuda e, muitas vezes, o incomodado em questão acaba mesmo tendo que se mudar. Pra colocar pra fora essa angústia, houve mesmo quem tenha criado campanhas como essa:

Seja educado, cinema é lugar sagrado

Um pedido muito justo.

A Noiva Cadáver (Corpse Bride)

Felipe Martins / @Felippemcc

A Noiva cadáver é mais uma parceria do trio Tim Burton (Peixe Grande), a sua esposa Helena Bonham Carter (O Discurso do Rei) e Johnny Depp (Alice no país das maravilhas). O filme é de 2005 e vem com uma proposta um pouco mais diferente dos trabalhos anteriores de Tim e Depp, além de se tratar de uma animação é também um musical. Possuindo a sombria marca de Burton, o filme lembra por vezes seus trabalhos anteriores, com um mundo dos mortos muito semelhante ao de "Os Fantasmas se divertem" (1988).

A história passa-se em um vilarejo europeu do século 19, e conta a história de Victor (Johnny Depp), um jovem que é arrastado para o outro mundo ao se casar sem querer com a misteriosa Noiva Cadáver (Helena Bonham Carter), enquanto tentava fugir de um casamento arranjado por sua família. Posteriormente descobre o amor que sentia por sua verdadeira noiva, Victoria (Emily Watson), que o aguarda abandonada na Terra dos Vivos. Embora a vida na Terra dos Mortos se mostre mais animada do que o meio em que nasceu e cresceu, Victor descobre que não há nada neste mundo, ou no outro, que possa afastá-lo de sua amada.

Excelente também a trilha sonora de Danny Elfman, dando sempre ao filme a leveza e ar sombrio que ele precisa. Ainda falando em termos técnicos, a co-direção entre Tim e Mike Johnson é perfeita. Usam a técnica de stop motion (onde as cenas são fotografadas quadro a quadro), usando bonecos em miniatura e um cenário muito bem elaborado, dando um charme muito especial ao filme.

A performance de Depp e Helena como os protagonistas, só pode ser vista se assistido em inglês (e no meu caso, com legendas), o que é sem dúvida a melhor opção, pois ambos fazem um ótimo trabalho na dublagem dos bonecos. Conta ainda com a participação de Emily Watson (Miss Potter) como Victória e Christopher Lee (Caça às Bruxas) como o pastor Galswells. O filme é uma excelente história de otimismo, romance e de uma alegre vida após a morte.

Filmes que me fizeram chorar... de ódio

João Linno / @JLinno

Talvez "chorar" não seja o termo mais apropriado para a ocasião, já que os filmes listados abaixo não me despertaram tamanha reação. "Ódio" pode ser uma palavra igualmente forte para esse momento. O texto a seguir é apenas para expressar a minha indignação (essa é a palavra) contra alguns filmes que abusaram da minha boa vontade. Aquela esperança de achar alguma coisa boa no filme (mesmo tendo indícios contrários) que foi por água abaixo logo após os créditos. Não levem para o lado pessoal:

Rota comando (2009)

- - - - -

Filme baseado em fatos reais e enfatiza as principais ocorrências da Rota (a polícia de elite de São Paulo), contando a história de três criminosos que se deram mal por aterrorizar a cidade.

Pegar carona no sucesso do primeiro Tropa de Elite (ambientado no Rio de Janeiro), mostrando as ações da polícia ROTA em São Paulo.

O resultado dessa imitação descarada trama é lamentável. Imagens de baixa qualidade, exagero nas cenas de violência, textos ruins e atuações piores ainda. Eu não sei como eles tiveram coragem de lançar mais esse subproduto da violência urbana. Ah! E a "punição" para o policial da ROTA que vacila é ridícula. Tem que ver isso aí.

Dragon Ball Evolution (2009)

- - - -

A história acompanha Goku, um jovem adotado e treinado pelo mestre de artes marciais, o avô Gohan. Uma noite, enquanto Goku está em uma festa da sua amada, Chi-Chi, o Vovô Gohan é atacado por Piccolo, que estava à procura de uma das Esferas do Dragão. Goku volta a encontrar seu avô adotivo e ele acaba morrerendo em seus braços, mas não antes de dizer para ele procurar seu próprio mestre, Roshi, e um aviso secreto relacionadado ao eclipse, as Esferas do Dragão, Piccolo e seu servo perdido, Oozaru.

Dragon Ball foi um dos animes que mais fez sucesso nos países do ocidente (sobretudo no Brasil). Uma adaptação resumida live action da saga de Goku e cia seria a oportunidade perfeita da Century Fox ganhar dinheiro se aproveitando dos fãs desavisados levar esse grande sucesso para o cinema.

Ok, esse deu vontade de chorar mesmo. Eu cresci vendo Dragon Ball. Sei que a série tem seus defeitos e alguns episódios são pura enrolação, mas os personagens são legais (admita) e até isso o filme conseguiu estragar. Parece que chamaram qualquer cara, espetaram o cabelo dele e disseram: "Pronto, meu filho. Agora você é o Goku, senta lá". Lamentável.

[Leia a crítica (revolts) do Cine Mosaico sobre Dragon Ball Evolution]

O caçador de pipas (2007)

- - -

Kabul Amir (Zekeria Ebrahimi) e Hassan (Ahmad Khan Mahmidzada) são dois amigos, que se divertem em um torneio de pipas. Após a vitória neste dia um ato de traição de um menino marcará para sempre a vida de ambos. Amir passa a viver nos Estados Unidos, retornando ao Afeganistão apenas após 20 anos. É quando ele enfrenta a mão de ferro do governo talibã para tentar consertar o ocorrido em seu passado.

O livro "O Caçador de Pipas" teve mais de 8 milhões de cópias vendidas em todo o mundo, sendo mais de 1 milhão de cópias vendidas no Brasil. Precisa dizer mais alguma coisa?

É um sucesso, ok. Um Best-seller, beleza. Agora eu pergunto: "e daí?". Certas histórias deveriam permanecer nas prateleiras das livrarias. Quando o cinema americano resolve lançar o seu olhar sobre a cultura e os valores do povo do Oriente Médio, o que temos é esse filme meloso-oportunista, não mais.

A Rede Social (2010)

- -

Em uma noite de outono em 2003, Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg), analista de sistemas graduado em Harvard, se senta em seu computador e começa a trabalhar em uma nova ideia. Apenas seis anos e 500 milhões de amigos mais tarde, Zuckerberg se torna o mais jovem bilionário da história com o sucesso da rede social Facebook. O sucesso, no entanto, o leva a complicações em sua vida social e profissional.

Aproveitar o hype da rede social que mais cresce no mundo atualmente. A criação do facebook, que hoje conta com mais de 500 milhões de usuários, é uma história que desperta a curiosidade de todos que estão inclusos na era da Web 2.0.

Cai na mesma categoria do exemplo anterior. Grande sucesso, muitos prêmios, muito burburinho e um não-exemplo de vida a seguir. Quem acha normal o que o Sr. Zuckenberg fez com o brother, provavelmente faria o mesmo para conseguir 500 milhões de "amigos" (põe aspas nisso) e alguns bilhões na conta. O que mais me espantou em toda essa presepada (faz tempo que não vê essa palavra, hein) é que estamos falando de um filme de David Fincher, responsável por Seven, Clube da Luta e Benjamin Button. Filmes que não foram tão (super)valorizados, apesar de serem infinitamente superiores em termos de história.

[Leia a crítica (amigável) do Cine Mosaico sobre A Rede Social]

Eu sei quem me matou (2007)

-

Lindsay Lohan vive Aubrey, garota que acaba sendo presa e mutilada por um sádico Serial Killer. A garota consegue escapar sem uma das mãos e sem uma perna, e acorda em um hospital. As coisas se complicam quando a garota acorda e revela que seu nome é Dakota, não Aubrey, e ela precisa convencer todo mundo que está certa e tem que salvar a própria vida e a vida de Aubrey.

Sinceramente, eu não sei.

Não seria exagero dizer que esse foi o pior filme que eu já assisti na vida (quase empatado com "Caótica Ana"). Lindsay Lohan em sua pior essência protagoniza esse drama-suspense-terror-thriler-romance (repita isso sete vezes) onde o meio é o início e o final não faz sentido. Aliás, nada faz sentido nessa bomba - e olha que nessa época as dorgas não estavam tão presentes na vida de Lind...

----

Todos esses filmes tem algo em comum. Aquele pensamento "quero meu tempo e dinheiro de volta" ficou na minha cabeça ao final de todos eles. Alguns pela qualidade técnica (ou falta dela), outros pela história que não me agradou. Nunca é demais lembrar que a lista expressa a minha opinião. Se concorda diz amém. Ou não.

Quais foram os filmes que te fizeram "chorar" de ódio? Diz aí.