Em 2010, a Disney voltou a adaptar um conto de fadas clássico em longa-metragem de animação, e o escolhido foi “Rapunzel”, dos irmãos Grimm. Batizado no Brasil como “Enrolados” (ou “Tangled” no original), o filme marca a 50ª animação do estúdio e a primeira a utilizar a técnica de CGI com o estilo visual que mescla pintura a óleo e computação gráfica. O resultado é uma das produções mais encantadoras da Disney no século XXI.
A história acompanha Rapunzel (voz de Mandy Moore na versão original), uma jovem que vive isolada em uma torre desde a infância, sob a proteção (ou controle) de Mãe Gothel (Donna Murphy). Seu cabelo mágico, capaz de rejuvenescer quem o toca, é o segredo que Gothel mantém escondido do mundo. Tudo muda quando Flynn Rider (Zachary Levi), um carismático bandido, acidentalmente se refugia na torre e faz um acordo com Rapunzel: ele a leva para ver as luzes flutuantes que aparecem todo ano em seu aniversário, e ela devolve a coroa roubada. Começa então uma jornada de autodescoberta, liberdade e, claro, romance.
Visualmente, o filme é um espetáculo. As cenas da floresta, da torre e do reino são pintadas com uma paleta vibrante, e a famosa cena das lanternas é de uma beleza que arrepia. A trilha sonora, composta por Alan Menken com letras de Glenn Slater, traz canções marcantes como “When Will My Life Begin?”, “I’ve Got a Dream” e a emocionante “Mother Knows Best”. A dublagem brasileira também é muito competente, mantendo o tom leve e engraçado dos diálogos.
Os personagens são carismáticos. Rapunzel é curiosa, corajosa e tem uma energia contagiante. Flynn Rider, com seu humor irônico e passado misterioso, não fica atrás. O camaleão Pascal e o cavalo Maximus rendem ótimas cenas cômicas. O ritmo do filme equilibra bem ação, comédia e momentos de pura emoção.
“Enrolados” foi um sucesso de bilheteria e crítica, e não é por menos. A Disney conseguiu modernizar um conto antigo sem perder a essência mágica, entregando uma animação que agrada crianças e adultos. É um daqueles filmes que aquecem o coração e nos lembram que, às vezes, os maiores sonhos começam com um pequeno passo — ou com uma longa trança.
Se você ainda não viu, vale cada minuto. Uma das melhores animações da década e um marco na trajetória do estúdio. Recomendadíssimo.
