01/02/11 – 01/03/11

Oscar 2011 – Vai um palpite aí?

João Linno / @JLinno

A maior premiação da indústria cinematográfica acontece no próximo Domingo (28/02) e os vencedores já foram definidos. Por mais que o Oscar tenha o objetivo principal de atender os interesses da academia (inflar o ego dos atores, diretores, etc…), volta e meia os fãs de cinema estão "torcendo" por alguém e dando seus palpites. Claro que aqui não poderia ser diferente, afinal, viemos falando dos filmes "oscarianos" desde A origem até O discurso do rei. Então, irei compartilhar com vocês o velho palpite nas categorias principais (10) do Oscar desse ano. Fiquem à vontade para dar um pitaco nos comentários depois:

Melhor diretor
- David Fincher – "A rede social"
- Tom Hooper – "O discurso do rei"
- Darren Aronofsky – "Cisne negro"
- Joel e Ethan Coen – "Bravura indômita"
- David O. Russell – "O vencedor"

Melhor ator
- Jesse Eisenberg – "A rede social"
- Colin Firth – "O discurso do rei"
- James Franco – "127 horas"
- Jeff Bridges – "Bravura indômita"
- Javier Bardem – "Biutiful"

Melhor atriz
- Annette Bening – "Minhas mães e meu pai"
- Natalie Portman – "Cisne negro"
- Nicole Kidman – "Rabbit hole"
- Michelle Williams – "Blue valentine"
- Jennifer Lawrence – "Inverno da alma"

Melhor ator coadjuvante
- Mark Ruffalo – "Minhas mães e meu pai"
- Geoffrey Rush – "O discurso do rei"
- Christian Bale – "O vencedor"
- Jeremy Renner – "Atração perigosa"
- John Hawkes – "Inverno da alma"

Melhor atriz coadjuvante
- Helena Bonham Carter – "O discurso do rei"
- Melissa Leo – "O vencedor"
- Amy Adams – "O vencedor"
- Hailee Steinfeld – "Bravura indômita"
- Jacki Weaver – "Reino animal"

Melhor roteiro original
- "Minhas mães e meu pai"
- "O vencedor"
- "A origem"
- "O discurso do rei"
- "Another year"

Melhor roteiro adaptado
- "A rede social"
- "127 horas"
- "Bravura indômita"
- "Toy Story 3"
- "Inverno da alma"

Melhor fotografia
- "Cisne negro"
- "A origem"
- "O discurso do rei"
- "A rede social"
- "Bravura indômita"

Melhor edição
- "Cisne negro"
- "O vencedor"
- "O discurso do rei"
- "127 horas"
- "A rede social"

Melhor filme
- "A rede social"
- "O discurso do rei"
- "Cisne negro"
- "O vencedor"
- "A origem"
- "Toy Story 3"
- "Bravura indômita"
- "Minhas mães e meu pai"
- "127 horas"
- "Inverno da alma"

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Deixe o seu palpite nos comentários. Lembrando…

Melhor diretor / Melhor ator / Melhor atriz / Melhor ator coadjuvante / Melhor atriz coadjuvante / Melhor roteiro original / Melhor roteiro adaptado / Melhor fotografia / Melhor edição / Melhor filme
A sorte está lançada!

O Discurso do Rei (The King's Speech)

Felipe Martins / @Felippemcc

Sou fã de filmes com o inglês britânico, acho charmoso e clássico. Ainda mais neste por estar ambientado na década de 40 e se tratar de um importante período histórico (o início da 2ª Guerra Mundial). Possui uma carga de descobertas de um antigo mundo, como a surpresa das pessoas com o surgimento do rádio. São estes elementos de plano de fundo que dão à película todo o seu encanto. Apesar de um elenco britânico, a película possui caras conhecidas na telona, com atores de filmes mundialmente conhecidos como "O Conde de Monte Cristo (2002)" e as franquias "Harry Potter" e "Piratas do Caribe".

O filme conta a história do Príncipe Albert (Colin Firth – "Direito de amar"), que é gago desde os 4 anos. Este é um sério problema para quem no futuro se tornará o Rei George VI, já que frequentemente precisará realizar discursos. George procurou ajuda com diversos especialistas, mas nenhum deles trouxe resultados eficazes, levando-o a desistir da procura pela cura. Sua esperançosa esposa, Elizabeth (Helena Bonham Carter – "Alice no país das maravilhas"), o leva até um "terapeuta de fala" de método pouco convencional, Lionel Logue (Geoffrey Rush – "Piratas do Caribe").

Lionel trabalha seus problemas motores, sem esquecer-se dos emocionais, ao ponto de construir uma grande amizade com o Rei. Seus excêntricos métodos fazem com que George adquira autoconfiança para cumprir o maior de seus desafios: assumir a coroa após a abdicação de seu irmão David (Guy Pearce – "O Conde de Monte Cristo"). O filme cria uma aproximação dos grandiosos Monarcas Ingleses ao povo, já que estes eram tidos como os "escolhidos por Deus" para governar o Reino Unido, desmistificando-os.

O filme é leve e conquista pela sutileza dos acontecimentos. Uma bela história sobre autoconfiança e superação, que faz surgir uma grande amizade entre dois homens, completamente diferentes (ou não). A excelente atuação de todo o elenco e uma impecável direção de Tom Hooper são os responsáveis pela grandiosidade deste filme.

127 Horas (127 Hours)

João Linno / @JLinno

Até que ponto uma pessoa pode chegar para lutar pela própria vida? O alpinista Aron Ralston nunca imaginaria que num simples passeio de fim de semana, seria colocado numa situação que o obrigasse a responder essa questão.

Abril de 2003. Aron sai de casa em direção a uma aventura rotineira entre as rochas e fendas do cânion Bluejohn, em Utah. Entre os itens de "sobrevivência" da viagem, as inseparáveis câmera fotográfica e filmadora, além da querida bicicleta e um aparelho de mp3. Assim, Danny Boyle (Quem quer ser um milionário) apresenta o personagem central de "127 horas". Aron (James "duende verde" Franco) é um engenheiro de formação com alma de aventureiro que não se mostrava preocupado com suas relações afetivas, até que um episódio trágico mudou sua percepção sobre a vida.

Confesso que o início de "127 Horas" me deixou intrigado. Afinal, o que o diretor quer dizer com uma tela dividida em três, imagens aceleradas de multidões, cortes frenéticos e uma trilha que seria perfeita para um videoclipe. No entanto, esses elementos ajudam a ambientar a história e enfatizar o modo despreocupado com que Aron leva a vida. Partiu sem dizer a ninguém para onde ia, deixou para trás o seu canivete, a torneira pingando e a casa vazia durante os cinco dias que esteve no cânion.

Após aproveitar a paisagem do local, conhecer duas belas garotas e registrar seus momentos de diversão no local, Aron segue sozinho a sua jornada até que se depara com um convite a exploração. A fenda Bluejohn parecia um bom local para iniciar uma aventura, mas torna-se um pesadelo quando uma das rochas se desprende da estrutura e deixa Aron preso pelo braço. A luta pela sobrevivência num ambiente hostil e claustrofóbico despertam a memória de Aron como um filme da sua vida passando pela cabeça. Momentos simples que ele não valorizou e talvez se o tivesse feito, não estaria naquela situação. O canivete esquecido em casa e uma ligação telefônica de sua mãe que ele não atendeu são os principais fatos que Aron relembra com um misto de ironia e arrependimento profundo.

Com estoque limitado de alimento e água, cada sensação de fome, sede e cansaço de Aron é potencializada ao ponto de causar muita angústia em quem assiste. Em um determinado momento, ao perceber que ficaria sem água, ele solta a frase: "preciso economizar". Lembrei imediatamente no close que é dado na torneira pingando do início do filme. Em outro momento de sede, os pensamentos de Aron "viajam" até o isotônico que ele deixou dentro do carro. Nunca a bebida fez tanta falta.

A atuação de James Franco no papel do herói alpinista é surpreendente. O ator consegue transmitir euforia de um amante da natureza em busca de altas confusões do barulho, em contraste com a agonia que ele vivenciou durante o incidente entre as rochas. Fora o momento em que ele resolve "brincar" com a própria condição, imitando um apresentador de programa de auditório, que para mim é a melhor cena do filme. A indicação de James Franco para o Oscar foi mais do que merecida, afinal, ele sustenta o filme quase todo sozinho com um bom desempenho.

Apesar de conduzir todo a narrativa em função da tão comentada cena forte que existe no filme, Boyle consegue a proeza de desviar a atenção do espectador para os conflitos vividos por Aron antes do incidente. Mesmo eu, que já sabia a medida drástica que Aron precisou tomar para sair vivo daquela situação, não fiquei esperando esse ponto-chave da história (que só ocorre nos minutos finais). A ideia é vivenciar a experiência de Aron desde a infância (quando ganhou a primeira câmera), até os momentos de reflexão dele no cânion. Portanto, não fique esperando pela tal cena, senão estará antecipando sua possível agonia.

A trama é envolvente. Um espetáculo sonoro e visual entre os encantos e armadilhas da natureza. E apesar do momento extremo vivido por Aron, podemos considerar que teve um final feliz. Para quem gosta de aventuras como o alpinista, fica o recado: Ao sair, sempre deixe um bilhete dizendo para onde foi.

São tempos difíceis para os fãs do suspense e do terror.

Deise Luz / @Deiseluz

Pois é, o título do post é bem auto-explicativo: são tempos difíceis para os amantes do suspense e do terror. Não que eu entenda sobre o gênero a ponto de poder fazer uma avaliação acerca dos seus bons e maus momentos, mas sou uma fã, e uma fã que vem se decepcionando bastante. Desenvolvi o gosto por filmes de terror na adolescência e volta e meia sou tomada por uma vontade incontrolável de ver filmes desse tipo. O problema é que, diante de alternativas tão ruins, fica difícil saciar essa vontade. O resultado das minhas buscas normalmente resultam em verdadeiras "bombas": filmes de péssima qualidade (em todos os sentidos: técnica, elenco, roteiro, TUDO).

É tão grave a situação que uma das estratégias que adotei para, pelo menos, tentar minimizar os riscos na hora de alugar um filme de terror/suspense é conferir se há algum ator mais famoso ou minimamente conceituado compondo o elenco. Tudo para driblar as chances de encontrar mais uma daquelas fitas em que as cenas de sexo são praticamente dignas de filmes pornôs (cenas de sexo: nada contra; cenas de sexo como disfarce para mediocridade e inexistência de roteiro: tudo contra). Não há muita perspectiva: os filmes novos, na maioria das vezes, são produções ruins, de quinta categoria mesmo. Os clássicos também não são uma alternativa, porque é difícil encontrá-los em DVD (até mesmo a série Pânico, que nem é tão antiga, só é encontrada em VHS – pelo menos na locadora em que consultei).

Mas, às vezes, certos filmes nos felicitam com a sensação de que nem tudo está perdido. Dia desses, por exemplo, vi "O Nevoeiro" (EUA, 2007), que entrou fácil pra minha lista dos melhores dentre os melhores do gênero. Algumas promessas para os próximos dias são "O Ritual" (EUA, 2011), que já está em cartaz por aqui, e o novo filme do Daniel Craig com a Rachel Weiz, Dream House, que só deve estrear no Brasil em novembro. E devo admitir que também estou muito ansiosa por Pânico 4.

Talvez uma boa dica para os que buscam bons filmes e não querem cair em armadilhas é buscar algumas adaptações cinematográficas da obra do escritor estadunidense Stephen King. Desde "Carrie, a estranha" a "O Iluminado", passando pelo próprio "O Nevoeiro", são várias as adaptações, diversas delas muito bem feitas. Outra coisa legal que fiz recentemente foi consultar a literatura especializada. Dia desses me deparei numa livraria com o livro 501 filmes que merecem ser vistos, lançado em 2009. Nem precisei comprá-lo, sentei, abri na seção "terror" e copiei vários títulos, que estou baixando agora.

Muita gente não gosta do gênero, e se irrita com os clichês que existem: mocinha que corre como se estivesse na São Silvestre mas que, ainda assim, é alcançada pelo serial killer que caminha a passos lentos, escolhas pouco seguras na hora de escapar etc etc etc, mas quem gosta de terror e suspense ama os clichês. Reclamar dos clichês do suspense e do terror é como reclamar que num musical os atores cantam a todo momento. Mas, tudo bem, né? Quem não gosta segue não gostando, e quem gosta – como eu, fã alucinada – segue amando e torcendo pra que bons títulos cheguem nos próximos anos.

O Vencedor (The Fighter)

João Linno / @JLinno

Filmes com histórias de superação são tão presentes no cinema que fica difícil imaginar algum elemento que possa surpreender o espectador nesse contexto. A indústria americana, por sua vez, parece gostar muito de unir esse conceito a personagens lutadores, consagrando filmes como "Rocky", de John Avildsen, "Menina de Ouro", de Clint Eastwood, e "O Lutador", de Darren Aronofsky. Todos eles foram destaques em premiações na época de lançamento.
"O Vencedor", filme baseado na vida do lutador norte-americano Micky Ward, segue exatamente a linha desses filmes que não requer muito esforço para se ter uma ideia do desfecho. Um esportista inicialmente fracassado, o rompimento parcial com a família (que o pressionava o tempo todo), a força de um grande amor, problemas com um irmão drogado e a mãe possessiva, a volta por cima e o triunfo final. Mesmo com tantos clichês, o que torna esse filme especial em relação aos outros com temática semelhante?
O filme começa com um suposto documentário da HBO sobre a vida e carreira do irmão de Ward (Mark Whalberg), o também boxeador Dicky Ecklund (Christian Bale), verdadeiro destaque da trama. Dicky viveu o auge da sua carreira no ano de 1993, quando derrotou o campeão mundial Sugar Ray numa luta histórica e vive dessa fama atá hoje. Com o título, ele ficou conhecido como o "orgulho de Lowell". Durante as filmagens, detalhes da rotina dos irmãos são mostrados: a amizade, o trabalho, os treinos e os problemas pessoais.
Por conta do seu vício em drogas, Dicky acaba arruinando a sua carreira como boxeador. Esse vício o leva a diversas prisões e ao afastamento das relações em família. "Contei uma piada que fez todo mundo chorar", os versos da canção "I Started a Joke", do Bee Gees, cantado por ele em uma das cenas mais emocionantes do filme, dão uma noção do quanto ele fracassou na vida inclusive com o irmão. Superado o choque inicial de ver o Christian Bale tão magro (repetindo a façanha que havia feito em "O Operário"), o personagem dele foi o que mais me cativou no filme. Dicky na verdade é o protagonista da história e, percebendo essa inversão de papéis, o estúdio o colocou sempre em destaque com relação a Micky (inclusive no cartaz). Ele é tão importante para o funcionamento da trama quanto o próprio personagem de Whalberg.
A temática boxe pode causar receio em algumas pessoas que não são fãs do esporte (assim como a temática ballet em "Cisne Negro"), mas o que está em jogo na história vai além das cordas do ringue. Amizade, lealdade, força e persistência. "O Vencedor" traz uma lição de vida exemplar, capaz de divertir e emocionar em muitos momentos. As cenas de luta não foram tratadas com muita importância, pois servem apenas para ambientar a trajetória dos irmãos no esporte. Talvez esse seja o único ponto que possa decepcionar o público, principalmente os fãs dos filmes citados no início do texto.
O filme tem um bom ritmo, fazendo com que o espectador esteja o tempo todo torcendo pelos irmãos boxeadores dentro e fora dos ringues. A profundidade nos personagens e as atuações muito bem realizadas tornam "O Vencedor" um drama além da média. Um filme simples e bem construído sem invenções espetaculares que pode fazer o espectador mais incrédulo sair da sessão com um sorriso estampado no rosto.

A morte e vida de Charlie (Charlie St. Cloud)

Felipe Martins / @Felippemcc

Minha maior curiosidade em ver este filme, era saber como seria o desempenho do ex-astro teen Zac Efron (High School Music). Já foi possível acompanhar seu trabalho pós-High School no longa "17 outra vez". E de fato ele surpreendeu desde então. Fui um daqueles que criticavam muito a trilogia que o levou a fama.

Em "A vida e morte de Charlie", Efrom teve a oportunidade de mostrar um certo amadurecimento como ator. No filme, ele vive Charlie St. Clold, um jovem que sofre em aceitar a morte de seu irmão mais novo Sam (Charlie Tahan - "Eu sou a lenda"), com o qual mantinha uma ligação especial. O jovem ainda carrega a "culpa" pela morte do irmão e para continuar próximo a ele, Charlie aceita um emprego de zelador no cemitério em que Sam está enterrado. Todos os fins de tarde Charlie cumpre a promessa de ensiná-lo a jogar baseball, ele vê o irmão devido a sua experiência de quase morte.

Tudo estava tranquilo até se apaixonar pela jovem Tess (Amanda Crew – "Ela é o Cara") e ter de fazer uma escolha entre ficar perto do seu querido irmão ou viver o amor com garota. O filme é baseado em livro homônimo, escrito por Ben Sherwood e explora uma forte relação familiar, independente dos limites da vida e morte.

Com uma narrativa leve, e boa interpretação do elenco principal, o filme é bonito de assistir e possui ensinamentos sobre os acontecimentos da vida. Mas não vá em busca de uma grande obra, a película é muito mais uma sessão da tarde. Apesar do tema de caráter espírita, o filme não busca explorar esse ponto, como visto no recém lançado "Além da vida". Os contatos espirituais da história servem mais para ambientar uma bela história de um amor quase impossível.

BURLESQUE

João Linno / @JLinno

Mais uma vez vemos uma situação que já foi mostrada aqui nesse blog: Uma cantora que quer "atacar de atriz". Como vimos no post sobre o assunto, algumas vezes essa experiência pode dar certo e outras não. "Burlesque", musical dirigido Steve Antin, deixa claro que nesse estilo de filme é muito mais importante ter uma atriz de verdade em cena do que uma cantora de sucesso com vontade de atuar. O filme mostra duas performances destoantes de Christina Aguilera, sendo que nos palcos a cantora faz bem o que já está acostumada, mas fora dele está num nível de atuação comparável a Britney e Mariah Carrey em seus respectivos filmes fracassados.

Na trama, Aguilera interpreta Ali, uma garota do interior de Iowa, que decide largar a sua vidinha pacata e ir em busca de um sonho em Hollywood. Claro que esse sonho é se tornar uma estrela da música e naturalmente ela tem que encontrar um lugar em que possa mostrar o seu talento. Depois de bater em várias portas e ser rejeitada (estou deduzindo, pois isso não fica claro no filme), a garota encontra a deslumbrante boate Burlesque, administrada pela ex-dançarina de cabaré Tess (Cher). Lá a garota agarra a oportunidade de trabalhar inicialmente como garçonete, mas logo ganha os palcos e vira destaque no local.

Percebeu o abuso de clichês? Ele é notório e está de mãos dadas com o andamento do filme. A garota caipira que sai do interior em busca de um sonho na cidade grande, a oportunidade de brilhar em uma casa de shows, a descoberta de um mundo repleto de glamour e fama, a conquista de um espaço nesse meio, a rivalidade com uma dançarina veterana da boate, a relação mãe e filha com a dona do local, o amigo gay (elemento obrigatório) que está sempre ali por perto, uma paixão repentina por um barman-músico… Enfim, os ingredientes perfeitos para uma história comum e pouco original.

Mas, nem tudo está perdido. Ao contrário do que possa parecer na descrição acima, "Burlesque" como musical não é ruim, aliás, o filme está mais para um drama bobinho cercado de música do que para um musical grandioso como "Moulin Rouge" ou "Chicago". Seria injusto comparar. Em "Buslesque" as músicas estão mais presentes na boate durante os espetáculos e são nesses momentos que o filme funciona melhor. A coreografia, o desempenho das bailarinas, o figurino, músicas, luzes, som e cenário foram preparados cuidadosamente para Aguilera brilhar em cena na sua estreia como atriz (ou seria cantora de cinema?).

A personagem Alice exigiu de Christina Aguilera muito mais desenvoltura nos palcos do que fora dele e nisso, a cantora não fez feio. Soube dominar com simpatia (pasmem) os momentos em que precisava cantar e dançar. Por outro lado, a Aguilera fora dos palcos está completamente sem graça e chega a soar forçado todas aquelas expressões e caretas dignas de vergonha alheia. A direção não se arrisca em fugir da fórmula batida da garota em busca de um sonho. Com isso, todos os holofotes são voltados para Aguilera, numa tentativa de engrandecer ao máximo sua voz. Não há como negar que a moça rouba a cena nos momentos em que aparece. Mas, ao tratar o filme como um show particular de Aguilera ou uma coletânea de videoclipes da cantora, a história deixa de explorar alguns personagens interessantes como Sean (Stanley Tucci de "O diabo veste Prada") que nos poucos momentos em que aparece ao lado de Cher demonstra uma boa afinidade.

Para os fãs de Cher não restou muita coisa. A lenda da música, ganhadora do Oscar em 1987 por "Feitiço da Lua", aparece pouco e bem apagadinha. Seu momento mais significativo é durante a interpretação da belíssima música "You haven't seen the last of me" (ganhadora do Globo de Ouro), que não tem nada haver com o contexto da cena, mas não deixa de ser emocionante. Já os fãs de Aguilera não terão do que reclamar. A cantora pop empresta sua voz a quase todas as músicas da trama, deixando apenas duas para Cher.

Não espere profundidade na história, os conflitos vividos pelos personagens não trazem nada de novo fãs de musicais. O roteiro pouco ousado valoriza demais a presença das duas divas em cena, esquecendo-se da carga dramática que envolve os demais personagens. Sem falar na resolução da trama que é muito previsível, e comprova como tudo no filme é uma desculpa para fazer Aguilera cantar. Mas, se o contexto da trama for ignorado (ou seja, toda a historinha boba), é possível se divertir com os espetáculos musicais, que é o ponto forte do universo Burlesco.

Bravura Indômita (True Grit)

João Linno / @JLinno

Sem se preocupar com possíveis comparações a primeira versão de "Bravura Indômita" (sucesso de 1969 estrelado por John Wayne), os irmãos Coen arriscaram a sua primeira aventura pelo faroeste, mostrando ao espectador uma história incomum num ambiente movido a ganância, dinheiro e violência. Para um clássico "velho oeste" o filme não chega a ser empolgante, mas reserva alguns bons momentos para os fãs do gênero.

Baseado no romance homônimo de Charles Portis publicado originalmente em 1968, "Bravura Indômita" conta a história de Matie Ross, uma garota de 14 anos que contrata um xerife alcoólatra e caolho para vingar a morte de seu pai, caçando o assassino ao longo do território indígena do Arkansas. O filme é narrado pela própria garota, que desde o início deixa claro a sua intenção de fazer o homem pagar pelo crime que cometeu. Para isso, ela não medirá esforços em capturá-lo vivo e ver a justiça sendo feita através do enforcamento do assassino em público.

Quando o xerife Reuben J. Cogburn (Jeff Bridges) é "contratado" por Mattie (Hailee Steinfeld) para capturar o assassino do seu pai, ele nada mais é do que um federal bêbado condenado por vários crimes – o primeiro contato da garota com o xerife é num tribunal onde ele era o réu. Essa característica rude e destemida de Cogburn chama a atenção da garota que logo demonstra interesse pela sua… bravura indômita. O que os dois não esperavam era a aparição de La Boeuf (Matt Damon), um policial que chega à cidade com o mesmo objetivo de Mattie. O trio então parte numa longa jornada em busca de Tom Shaney (Josh Brolin), o assassino.

É possível notar a diferença entre o argumento dos irmãos Coen e os demais filmes que utilizam o "velho oeste" como cenário. Quando se fala em filmes desse tipo, a primeira ideia que temos é a exploração da violência, a rivalidade e o famoso bangue-bangue. Mas aqui, há uma preocupação maior em não focar nas cenas de ação típica dos filmes western, e sim nos conflitos pessoais entre os personagens principais. O problema dessa escolha dos Coen é que o filme perde muito o ritmo.

Durante as buscas, o que prevalece entre La Boeuf e Cogburn é uma espécie de disputa de auto-afirmação. Mattie é a única que permanece focada no objetivo até o fim, enquanto os dois rapazes se preocupam em mostrar as habilidades, atirando em pães e moedas no ar, entre outras coisas. Quando finalmente a história parece solucionada, há outra quebra no roteiro que obriga os personagens a repensar se levarão Tom Shaney preso ou não. Entre acordos e ameaças, "Bravura Indômita" entrega ao espectador um drama com boas atuações (sobretudo de Hailee Steinfeld, indicada ao Oscar de atriz coadjuvante), mas que no fim das contas fica só na conversa.

Cisne Negro (Black Swan)

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João Linno / @JLinno

Quem conhece os principais trabalhos do diretor Darren Aronofsky está acostumado a vê-lo em filmes onde os principais personagens são repletos de carga dramática e se mostram obcecados em atingir um objetivo pessoal. Seja um matemático explorando os limites da mente em obter respostas exatas ou um decadente lutador determinado a se reerguer, a característica marcante em todos eles é a mesma: obsessão. Em Cisne Negro não é diferente. A obsessão pela perfeição na dança e os conflitos psicológicos de uma bailarina são temas do seu novo suspense protagonizado por Natalie Portman ("V de Vingança").

A trama tem o balé Lago dos Cisnes como pano de fundo. Nela, Nina (Portman) é uma dedicada bailarina que tem a sonhada oportunidade de estrelar esse espetáculo de grande porte depois que a sua antiga estrela Beth (Winona Ryder), é forçada a se aposentar. No balé dramático do compositor russo Tchaikovsky, uma princesa é transformada em cisne branco e disputa o amor de um príncipe com uma rival maliciosa idêntica a ela, o cisne negro.

Para conseguir o papel de destaque, Nina mantém um padrão de exigência consigo mesmo tão rigoroso que é visto negativamente pelo também exigente diretor Thomas Leroy, interpretado por Vincent Cassel. Segundo ele, Nina seria perfeita para o papel de Cisne Branco por ser delicada, pura e tão disciplinada, mas nesse caso, a bailarina precisa encarnar as duas personalidades e para ser o Cisne Negro a mesma precisa "se deixar levar" pelos movimentos e seduzir os que estão a sua volta. Para uma bailarina que está tão acostumada a buscar a perfeição técnica, isso é uma tarefa quase impossível.

O ponto-chave na formação da personalidade de Nina é a sua relação com a mãe, interpretada por Barbara Hershey. A ausência de privacidade da garota meiga (como é constantemente chamada pela mãe), além de uma grande pressão por bons resultados na dança, fizeram com que ela tivesse essa limitação de movimentos e sedução cobrada pelo diretor.

Nesse momento entra em cena Lilly (Mila Kunnis), uma dançarina novata que rapidamente atrai os olhares de Thomas, devido a sua espontaneidade e sensualidade. Enquanto Nina demonstra um sofrimento evidente enquanto dança, consequência da enorme cobrança externa, Lilly parece apenas se divertir no palco, tornando-se uma possível candidata ao posto de solista no espetáculo.

Aos poucos, os medos e inseguranças de Nina é transcrito em cena através de visões assustadoras, movimentos trêmulos de câmera, sangue e vozes ocultas. Nesse ponto, o diretor soube elevar ao máximo a sensação de agonia transmitida pela personagem. Situações casuais como o ranger das sapatilhas no tablado ou uma unha sangrando são muito bem potencializadas pela excelente captação de som e imagem.

A bela fotografia aplicada por Matthew Libatique se encarrega em dar um tom sobrio na relação de amor e ódio entre as duas "rivais". Além disso, há uma preocupação constante em manter a maquiagem e o figurino de Lilly sempre em contraste com os de Nina para reforçar ainda mais a oposição entre as personagens.

Lilly, não por acaso, possui um par de asas negras tatuado nas costas, que a acompanha num certo movimento de transformação quando as duas se envolvem afetivamente numa das cenas (quentes) mais comentadas durante a divulgação do filme. Contudo, as cenas que exploram a sexualidade de Nina são as que menos impressionam. Aronofsky trouxe para as telas um mergulho na personalidade psicótica de uma bailarina, capaz de manter o espectador preso durante todo o filme. Um drama memorável, que engloba psicologia e arte de maneira magistral.

Milla Kunis e Natalie Portman

Amor e outras drogas (Love and Other Drugs)

♪  ♪  ♪  ♪    ♪  ♪  ♪  ♪  ♪ (5/10)
Felipe Martins / @Felippemcc

Sou do tipo que gosta mesmo de comédias românticas. E um filme estrelado pela querida Anne Hathaway ("O diário da princesa") e o por Jake Gyllenhaal ("O dia depois de amanhã"), eu não poderia deixar de assistir na telona, né? Com uma produção bem feita e a "química" entre a dupla de protagonistas, o filme não é dos piores. Tem fôlego e a história por vezes se renova, dando sempre um bom ritmo ao filme.

O roteiro em sua concepção não é nada inovador, os elementos que servem de plano de fundo é que ficam encarregados das boas gargalhadas. É mais uma história de um sedutor incorrigível que se apaixona pela garota que não gosta que liguem no dia seguinte.

Na trama, Jamie Randall (Jake Gyllenhaal) é um mulherengo do tipo que perde a conta do número de mulheres com quem já transou. Ele começa a trabalhar no laboratório da indústria farmacêutica Pfizer. Como representante comercial, a sua função é abordar médicos e convencê-los a prescrever os produtos da empresa para os pacientes. Em uma dessas visitas, ele conhece Maggie Murdock (Anne Hathaway), uma jovem que sofre de mal de Parkinson.

Inicialmente, Jamie fica atraído pela beleza física e por ter sido dispensado por ela, mas aos poucos descobre que existe algo mais forte. Maggie, por sua vez, também sente o mesmo, mas não quer levar adiante por já ter sido abandonada anteriormente por causa de sua doença. Falta ao filme a vontade de correr riscos. O final amador, mostra o quanto o diretor parece ter medo de arriscar, e acabamos com um melancólico "felizes para sempre".

Minhas mães e meu pai (The Kids all are Right)

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João Linno / @JLinno

O olhar crítico sobre uma família americana nada convencional é mostrado no mais recente filme de Lisa Cholodenko ("Laurel Canyon"). Uma das boas surpresas de 2010, "Minhas mães e meu pai" revela o cotidiano de Nic e Jules, um casal de lésbicas que mantém um relacionamento aparentemente bem resolvido num ambiente liberal da Costa Oeste americana, até que alguns acontecimentos põem à prova o casamento das duas.

Na história, Joni (Mia Wasikowska de "Alice in Wonderland") e Laser (Josh Hutcherson de "Viagem ao centro da Terra") são os filhos do casal homossexual, interpretado por Annette Benning e Julianne Moore. Ambos foram concebidos graças a uma inseminação artificial de um doador anônimo. Ao completar a maioridade, Joni incentiva o irmão a buscar informações sobre o paradeiro do pai biológico, sem o consentimento das "mães". Quando Paul (Mark Ruffalo de "Ilha do Medo") é localizado e passa a fazer parte do cotidiano dessa família.

Com um roteiro criativo (indicado ao Oscar de melhor roteiro original) e direção segura, Lisa Cholodenko soube abordar um tema delicado com bastante eficácia. Parte desse sucesso deve-se as atuações brilhantes do trio de peso formado por Annete Benning (indicada ao Oscar de melhor artiz coadjuvante e vencedora do Globo de Ouro de melhor atriz comédia/musical), Mark Ruffalo (indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante) e Julianne Moore (esquecida injustamente em todas essas premiações).

O bom desempenho do filme no Globo de Ouro (vencedor na categoria "melhor comédia/musical"), além das quatro indicações ao Oscar desse ano resultaram no seu retorno às salas de cinema, o mesmo que aconteceu com "Guerra ao Terror" em 2009, que já havia saído em DVD quando foi indicado (e ganhou) as principais categorias da premiação. Uma boa oportunidade para o público conferir essa história sobre diferenças e questões familiares, que trabalha o tema relacionamento com bom humor e respeito.

O Concerto (Le Concert)


João Linno
/ @JLinno

"A música está na alma do músico". Depois de ver "O Concerto", novo filme do cineasta romeno Radu Mihaileanu, essa afirmação se fortaleceu ainda mais em minha mente. O diretor, também reconhecido por seu notável trabalho em "O trem da vida", traz uma divertida e emocionante jornada ao som de música clássica e regada a sátiras políticas, dramas e ironias.

O filme narra a história de Andreï Simoniovich Filipov (Aleksey Guskov), um experiente maestro que tem a sua carreira interrompida na orquestra Bolshoi quando se recusa a demitir os seus músicos judeus, num conturbado momento político da União Soviética. Andreï segue trabalhando no teatro como auxiliar de limpeza, quando um dia tem a oportunidade de reger novamente sua orquestra, devido a interceptação (digamos ilegal) de um fax onde a orquestra Bolshoi é convidada a se apresentar no Châtelet Theater, em Paris.

Apesar dos riscos, a paixão de Andreï pela música fala mais alto e ele resolve reunir o grupo desmontado há 30 anos, fazendo-se passar pelo atual Bolshoi. Então, como conseguir 55 músicos capacitados em duas semanas? Andreï e seu fiel companheiro Sacha (Dmitri Nazarov) correm contra o tempo em busca de velhos amigos para compor o elenco que irá se apresentar em Paris. Contornando os demais obstáculos – passaportes, vistos, patrocínio, passagens aéreas – o grupo comandado por Andreï chega finalmente a cidade luz.

Nesse momento, o filme caminha para o seu momento mais descontraído. O comportamento geralmente bêbado, selvagem e obcecado pelo dinheiro manifestado por alguns músicos é estereotipado, mas não chega a comprometer a beleza da trama. Quando a bela solista Anne-Marie (Mélanie Laurent de "Bastardos Inglórios") aparece e se torna o centro de uma subtrama, o filme funciona ainda mais. A participação de Anne-Marie no concerto foi uma das exigências de Andreï para a orquestra se apresentar no país, por motivos que o público irá descobrir no final.

"O Concerto" foi rodado em diversas locações como Bucareste, na Romênia; na Praça Vermelha de Moscou, na Rússia; e também no hotel Le Bristol e Théâtre du Châtelet, ambos em Paris, na França. Cenários belíssimos, onde a música de Tchaikovsky flui como um pano de fundo perfeito para essa história fabulosa. A harmonia perfeita alcançada por um grupo que não se reúne há 30 anos e não fez sequer um ensaio pode soar bastante utópica, mas é mostrada na tela de forma encantadora. Ao final do filme, tal como a plateia do teatro francês, dá vontade de aplaudir de pé a apresentação apoteótica da orquestra russa.

Quem quer ser um milionário? (Slumdog Millionaire)

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João Linno / @JLinno

Jamal está apenas a uma questão de ganhar 20 milhões de rúpias. Como ele fez isso?

a) Ele trapaceou
b) Ele é sortudo
c) Ele é um gênio
d) É o destino 

"Quem quer ser um milionário" é um daqueles filmes que prende o espectador já nos primeiros minutos de exibição. O diretor inglês Danny Boyle (Trainspotting, Extermínio) traz o retrato de um país imerso na pobreza com um toque peculiar de humor, romance, violência e drama. 
A Índia mostrada através das câmeras nervosas que acompanham os personagens desde o início do filme, é apenas um dos elementos utilizados por Danny Boyle para imergir o público no ambiente curioso onde vive Jamal, garoto pobre das favelas de Mumbai que vê a sua vida dar uma reviravolta incrível quando consegue uma participação num programa de perguntas e respostas da TV local.

Após surpreender todo o país com seu ótimo desempenho no Who Wants To Be A Millionaire? (o 'Show do Milhão' indiano com um 'Sílvio Santos' do mal), Jamal é preso e torturado por suspeita de fraude. Não se trata apenas de dinheiro, afinal a intenção de um programa de TV nesse formato é (ou deveria ser) premiar os participantes. A questão é: como um garoto pobre e sem estudos (um 'cão favelado') que serve chás numa central de telemarketing conseguiu ir tão longe num QUIZ televisivo, estando a uma resposta de se tornar o mais novo milionário da Índia? Seria ele um gênio ou uma farsa?
A verdade é que a vida nunca foi fácil para Jamal. Desde a infância, quando perdeu a mãe de maneira trágica, ele teve que se mostrar um garoto esperto o suficiente para contornar as dificuldades. Nesse momento, Jamal já nutre uma paixão por Latika, garota que conheceu pouco depois de ficar órfão. O filme mostra a trajetória de Jamal pelas ruas do país juntamente com seu irmão Salim, na tentativa de mostrar como o jovem 'aprendeu com a vida' as respostas do programa. 
Cada experiência do personagem revela como ele soube responder corretamente cada questão, isso é mostrado em tela através de alguns flashbacks. Nesse ponto, o filme obtém o máximo de êxito, já que as explicações para as respostas são condizentes com a realidade em que ele se encontrava.
Ao final de tantas justificativas, fica impossível não torcer para que Jamal volte ao programa, responda a última pergunta que o levará ao prêmio máximo e reencontre Latika, o seu amor perdido na infância. Apesar de ser uma fábula moderna com um tema não muito original, o que faz alguns torcerem o nariz, "Quem quer ser um milionário" conquista o público graças à mensagem otimista que transmite e a simplicidade dos personagens que é realmente cativante. 
Numa época em que parece ser mais interessante mostrar a "realidade" trágica no cinema, a história de superação do garoto pobre das favelas de Mumbai traz um toque de esperança ao público, independente da sua nacionalidade ou posição social.