O novo filme de Danny Boyle, 127 Horas (127 Hours, 2010), é uma experiência cinematográfica tão claustrofóbica quanto inspiradora. Baseado na história real do alpinista Aron Ralston, o longa acompanha os cinco dias em que ele ficou preso em um desfiladeiro no Utah, com o braço direito esmagado por uma rocha.

James Franco entrega uma atuação magnética como Ralston. Durante a maior parte do filme, estamos sozinhos com ele — e Franco carrega o peso dramático com uma naturalidade impressionante. Seu olhar, seus silêncios, seus momentos de desespero e lucidez constroem um retrato humano profundo.

Danny Boyle utiliza sua câmera inquieta para transformar um cenário extremamente limitado em um espaço visualmente dinâmico. Flashbacks, alucinações e cortes criativos quebram a monotonia do cânion e nos mergulham na mente do protagonista. A trilha sonora, que inclui "Festival" de Sigur Rós, é arrebatadora.

A cena da amputação — que muitos temiam — é visceralmente realista, mas Boyle não apela para o choque gratuito; ele constrói uma tensão tão absoluta que, quando o momento chega, é quase um alívio.

127 Horas é um filme sobre a vontade de viver, sobre as pequenas escolhas que definem nosso destino e sobre a força que encontramos quando não temos outra saída. Uma obra que fica com você muito depois dos créditos.

Além da atuação de Franco, o filme conta com uma fotografia deslumbrante de Anthony Dod Mantle e Enrique Chediak, que capturam a beleza agreste dos cânions americanos. Boyle usa a tela dividida para mostrar o tempo passando e a solidão de Ralston de forma engenhosa. O roteiro, adaptado por Boyle e Simon Beaufoy, mantém o ritmo mesmo sabendo que o espectador já conhece o desfecho.

127 Horas foi indicado a seis Oscars, incluindo Melhor Filme, Melhor Ator (James Franco) e Melhor Roteiro Adaptado. Embora não tenha levado nenhuma estatueta, o filme permanece como uma das obras mais marcantes de 2010.

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