01/08/11 - 01/09/11 ~ Cine Mosaico

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News | Veja os indicados ao Globo de Ouro 2012

Filme mudo e em preto e branco lidera a lista com 6 indicações

Globo de Ouro 2012

Crítica | Gato de Botas (Puss in Boots)

Spin-off divertido com um toque latino

Gato de Botas

Crítica | Operação Presente (Arthur Christmas)

Um presente de natal para crianças e adultos

Operação Presente

Professora sem classe (Bad Teacher)



Ao tentar quebrar a barreira do politicamente correto, "Professora sem classe" cai numa sucessão de erros e se torna uma comédia (se é que podemos classificar assim) sem nenhum atrativo. Esqueça o pôster, o título em português (um trocadilho até bem feito) e principalmente a frase de efeito da massiva campanha de marketing: "o que ela ensina não está nos livros". A obra é totalmente esquecível e não entrega nada do que promete.

O "filme" conta a "história" de Elizabeth Halsey (Cameron Diaz), uma professora de escola primária que não vê a hora de deixar a função. Seus planos vão por água abaixo quando seu noivo (rico) termina o relacionamento, acusando-a de gastar demais. Como resultado, ela é obrigada a voltar à escola em que trabalhava para um novo ano letivo. Elizabeth não está interessada em ensinar os alunos e pouco se importa com as tentativas de integrar os professores capitaneada pelo diretor Wally (John Michael Higgins) e a professora Amy (Lucy Punch).

Elizabeth sonha em encontrar um homem que a sustente e, para tanto, decide fazer uma operação para aumentar os seios, por acreditar que, desta forma, será mais atraente. Sem dinheiro, ela começa a dar pequenos golpes envolvendo alunos e professores, para que possa investir em seu próximo "alvo": Scott Delacorte (Justin Timberlake).

É complicado saber o real propósito de "Professora sem classe". O filme é muito ~~imbecil~~ infantil para ser uma comédia adulta e muito "adulto" para ser uma comédia infantil. Confuso, não? Pois é nessa linha (torta) que o filme se desenvolve. Ora bancando a comédia pastelão com direito a linguagem chula, insinuação de sexo (melhor nem comentar essa cena) e piadas ~~idiotas~~ bobas, e depois partindo para o "humor" politicamente incorreto, com cenas de bullyng e consumo de drogas.

Não quero levantar a bandeira do politicamente correto aqui, mas vamos aos fatos: se você quer colocar uma professora fumando maconha na frente de uma aluna (de 10 anos), ao menos tem que fazer com que a cena seja importante dentro do contexto do filme. Se for mostrar um garoto ficando "animadinho" enquanto vê a professora lavando o carro de shortinho, favor não dar um close gigante na genitália do moleque. Fora outras coisas que não vale à pena citar.

Dirigido por Jake Kasdan com roteiro da dupla Gene Stupnitsky e Lee Eisenberg, o filme se apoia num humor de muito mau gosto, que consegue no máximo arrancar um sorriso amarelo do público. Para quem foi atraído pelo nome Cameron Diaz no cartaz, é decepção na certa. Ela não é uma atriz fora de série, mas já fez trabalhos muito mais interessantes que esse, e já que falamos da moda do politicamente incorreto, vale citar "Quero ficar com Mary", que ainda em 1998 conseguiu utilizar muito bem esse recurso, graças ao bom trabalho dos irmãos Farrely.

Quando nem o apelo sexual em cima de Cameron Diaz funciona como atrativo para um filme, há algo de muito errado. O nome é "Professora sem classe", mas poderia ser "professora sem graça", "sem sentido", "sem rumo", "sem rendimento"... tanto faz. Filme reprovado.


S. R.

Professora sem classe
Título Original: Bad Teacher
Direção: Jake Kasdan
Roteiro: Gene Stupnitsky, Lee Eisenberg
Elenco: Cameron Diaz, Justin Timberlake, Lucy Punch, Jason Segel
Duração: 92 min
Gênero: Comédia
Ano: 2011


Balada do amor e do ódio (Balada triste de trompeta)


Uma história de amor imprevisível marcada pela insanidade de um personagem icônico. Assim é "Balada de amor e ódio", novo filme do diretor Alex de La Iglesia. Explorando a riqueza artística do ambiente circense e a loucura de um palhaço cheio de traumas e decepções, o filme trabalha harmoniosamente uma dualidade de sentimentos como o próprio título sugere.

O filme se inicia em 1937 numa Espanha marcada pelo terrorismo civil e uma sangrenta luta pela liberdade. Nesse cenário, o circo local tenta continuar o seu show mesmo com as forças franquistas aterrorizando o país do lado fora. Em menor número e com menos armamento, os republicanos buscam "voluntários" para reagir aos ataques.

Entre os homens convocados para o contra-ataque está um dos integrantes do circo, o palhaço triste (Santiago Segura). Armado apenas com um facão e ainda vestido a caráter, o palhaço consegue fazer um bom estrago nas forças inimigas até ser preso e posteriormente morto. Ele deixa para trás um filho que viria a seguir a mesmo caminho, mas de uma forma completamente inusitada.

36 anos depois da morte do pai, Javier (Carlos Areces) decide ingressar na equipe de um circo em Madrid. No local, Sérgio (Antonio de La Torre), mais conhecido como o Palhaço Gracioso, é a principal atração, isso faz com que ele trate os demais com enorme desprezo. Nem mesmo sua esposa, a bela trapezista Natalia (Carolina Bang), escapa dos seus ataques de loucura.

Numa estranha relação de violência e sedução, Javier fica exatamente no meio desse conflito ao se apaixonar por Natalia. À medida que o triângulo se forma, a inocência de Javier dá lugar a uma obsessão pela garota, tornando-o uma figura desprezível. A sorte é que essa transformação é dada de maneira sutil e com uma motivação crível.

É difícil definir a que gênero pertence "Balada do amor e ódio". Num primeiro momento, o filme explora o contexto da guerra civil em sequências repletas de sangue e uso de linguagem chula e logo depois se volta para um romance intenso, passando-se por terror trash em seus momentos finais. Pode ser confuso para alguns e incômodo para outros, mas isso só reforça o que o filme é: uma produção tecnicamente impecável com roteiro ousado e impactante.


Balada do amor e do ódio
Título Original: Balada triste de trompeta
Direção: Alex De La Iglesia
Roteiro: Alex De La Iglesia
Elenco: Carlos Areces, Antonio de la Torre, Carolina Bang, Manuel Tallafé
Duração: 107 min
Gênero: Drama
Ano: 2011


Assalto ao banco central


"Não é um assalto, é uma pequena redistribuição de renda."

Nos dias 6 e 7 de agosto de 2005 foram roubados do cofre do banco central de Fortaleza a quantia de R$ 164,7 milhões, o que caracterizou o maior assalto da história do país e o segundo maior roubo a banco do mundo. Seis anos após o crime, "Assalto ao banco central" chega aos cinemas com a responsabilidade de narrar a história do roubo e entregar uma produção tão grandiosa e bem planejada quanto o próprio crime.

No filme, um criminoso conhecido apenas como Barão (Milhem Cortaz) reúne uma equipe disposta a invadir o cofre do banco central de Fortaleza e roubar a quantia desejada através de um túnel. As referências ao roubo real param por aí, já que foram criadas inúmeras situações fictícias para deixar a história mais "atraente".

"Assalto ao banco central" é um bom exemplo de que às vezes o "baseado em fatos reais" pode ser um chamariz negativo para filme. Quem for ao cinema esperando um filme sobre o roubo do século, vai se deparar com uma narrativa pouco dinâmica que abusa do didatismo nas cenas de investigação e pouca ação para um filme policial. Além disso, o filme é repleto de situações gratuitas que pouco acrescentam ao desenvolvimento da trama. Além do abuso de estereótipos (nordestinos, evangélicos, homossexuais), vemos uma tentativa de romantizar a história do assalto com personagens fictícios que claramente só serviriam para criar uma empatia com o público. Não funcionou.

A opção de quebrar a ordem cronológica do filme também não foi das melhores. Nele, as cenas de planejamento do assalto são intercaladas com as de investigação e interrogatório dos suspeitos do crime. A narrativa não chega a confundir o público, mas tira totalmente o suspense da trama, pois ficamos sabendo de cara quem são os integrantes do grupo que serão acusados, detidos ou mortos.

"Assalto ao banco central" até tenta fugir do óbvio, mas falha ao tentar implantar elementos que deram certo em outros filmes do gênero, com uma equipe que infelizmente não teve a mesma competência. Dirigido pelo estreante Marcos Paulo (mais conhecido por trabalhos em novelas globais), o filme é uma armadilha para curiosos que chama mais atenção pela história (a real, de 2005) do que pela forma que foi mostrado no cinema.

Assalto ao banco central
Título Original: Assalto ao banco central
Direção: Marcos Paulo
Roteiro: Renê Belmonte
Elenco: Milhem Cortaz, Hermila Guedes, Giulia Gam, Lima Duarte, Eriberto Leão
Duração: 104 min
Gênero: Ação
Ano: 2011
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Super 8


A participação de Steven Spielberg em qualquer produção hollywoodiana é sinônimo de grande expectativa para o público em geral. Dessa vez, o responsável por projetos grandiosos como E.T, Tubarão e Jurassic Park, associa o seu nome a um projeto de J. J. Abrams, um fã assumido de ficção científica, responsável pela série de TV mais aclamada dos últimos tempos. O resultado dessa parceria de peso é "Super 8", uma obra que une a paixão pela arte de fazer filmes e uma interessante mistura de elementos que fizeram parte dos dois cineastas.

O filme acompanha um grupo de seis amigos que estão produzindo um filme sobre zumbis para participar de uma competição local. Munidos de uma câmera Super 8 e com várias ideias mirabolantes na cabeça, os aspirantes a cineastas correm contra o tempo para finalizar a produção do seu curta metragem. Buscando cenários diferentes e uma forma prática de valorizar a produção, eles decidem gravar uma das cenas na estação ferroviária local, onde presenciam um terrível acidente envolvendo um trem da força aérea norte americana. Após o ocorrido, estranhos acontecimentos começam a acontecer nas redondezas, desde desaparecimento de pessoas e animais domésticos à roubo de equipamentos eletrônicos e falta de energia elétrica. Havia algo misterioso naquele trem e só Joe Lamb (Joel Courtney) e seus amigos presenciaram o acidente.

Ambientado no ano de 1979 na cidade fictícia de Lillian (Ohio), "Super 8" reúne suspense, aventura e ficção científica sem deixar de lado as velhas lições de amizade e companheirismo típicas de clássicos como "Os Goonies" e "Conta Comigo". Na produção, destacam-se a qualidade dos efeitos visuais e sonoros e o ótimo elenco, que mistura figuras mais conhecidas como Elle Fanning (de O Curioso caso de Benjamin Button) e os iniciantes Riley Griffiths (no papel do "mandão" Charles) e Ryan Lee (o hilário garoto fascinado por explosões).

Tanto J.J Abrams quanto Spilberg são apaixonados por cinema desde a infância. "Super 8" é um resgate ao cinema de gênero que traz uma marca evidente dos dois cineastas. A história é bem simples e não possui um desfecho inovador, porém a forma com que o filme é conduzido não o deixa perder o ritmo em nenhum momento, prendendo a atenção até os instantes finais. Uma boa aventura com elementos que remetem aos "clássicos sessão da tarde" dos anos 70/80 com uma abordagem mais moderna e não menos interessante.

Super 8
Título Original:Super 8
Direção: J. J. Abrams
Roteiro:J. J. Abrams
Elenco:Joel Courtney, Riley Griffiths, Elle Fanning, Ryan Lee
Duração: 112 min
Gênero:Ficção Científica
Ano: 2011
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Melancolia (Melancholia)


É impossível começar a falar de "Melancolia" sem mencionar a figura polêmica por trás do projeto: Lars Von Trier. O cineasta é conhecido por declarações que já renderam muita discussão e revolta, sendo a última no Festival de Cannes onde foi tido como persona non grata após uma conturbada coletiva de imprensa. Von Trier é um diretor singular cujo estilo é amado e odiado na mesma proporção. Incrivelmente, a recepção de "Melancolia" (ao menos no Festival) foi extremamente positiva, o que não é comum na maioria dos trabalhos do diretor.

Nas primeiras cenas do filme uma imersão ao mundo idealizado pelo cineasta acontece através de uma arrebatadora sequência de imagens em super slow motion que mistura ações dos personagens do filme e eventos naturais (e sobrenaturais, por que não?). Resta ao espectador apreciar esse momento e aceitar a beleza das imagens é consequência de uma possível tragédia.

Justine – O filme é dividido em duas partes. No primeiro momento, somos apresentados a Justine (Kirsten Dunst), uma jovem que está prestes a se casar numa luxuosa mansão. A mega festa planejada por sua irmã Claire (Charlotte Gainsburg) e bancada por seu esposo John (Kiefer Sutherlan) tinha tudo para ser a realização de um sonho, não fosse o estado em que a noiva se encontra. Justine se esforça para parecer feliz diante dos convidados, mas algo lhe causa extrema angústia.

Esse sentimento se materializa em cenas que incomodam e ao mesmo tempo encantam o espectador. Numa mesma sequência, vemos Justine ir do silêncio ao descontrole, seguida por uma câmera nervosa que em nenhum momento deixa o espectador esquecer o estado depressivo da protagonista. Sabemos que algo terrível está para acontecer, mas o choque do planeta Melancolia com a Terra acaba se tornando um detalhe perto da profundidade dos personagens, ao menos nesse momento do filme.

Claire – O segundo momento do filme é dedicado a mostrar o quanto a aproximação do planeta Melancolia afeta de formas diferentes cada um dos personagens. Claire, outrora uma jovem aparentemente equilibrada e presa a rituais, aos poucos se entrega ao desespero na medida em que Melancolia se aproxima da Terra.

Von Trier queria deixar claro que não é um filme sobre o fim do mundo (como a maioria das sinopses pode sugerir), é um filme sobre estado de espírito. Por isso, vemos os acontecimentos pelos olhos de personagens tão diferentes. Para Justine, não havia mais o que fazer para evitar a colisão entre os planetas. Segundo ela, a existência da humanidade é marcada essencialmente pela maldade e nisso ela se apoia para aceitar o fim e não se amedrontar. Esse ceticismo de Justine é o contraponto perfeito com o personagem de Keith Sutherland, que descarta a colisão entre os planetas baseado numa simples crença científica.

"Melancolia" é repleto de símbolos e detalhes que podem passar despercebido aos olhos dos menos atentos. Não é um filme fácil de descrever, muito menos de indicar. Nem todas as pessoas estão dispostas a se deixar ser pego por algo tão perturbador e, por que não, incerto. A única certeza que tenho é: você pode até não gostar de "Melancolia", mas não vai conseguir ficar indiferente ao final do filme.

Melancolia
Título Original:Melancholia
Direção: Lars Von Trier
Roteiro: Lars Von Trier
Elenco: Kirsten Dunst, Kiefer Sutherlan, Charlotte Gainsburg
Duração: 136 min
Gênero: Drama
Ano: 2011
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O cinema e a periferia

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Deise Luz
twitter.com/deiseluz


No último Cinefuturo, cuja cobertura você conferiu aqui no Cine Mosaico, muito se discutiu sobre a relação entre cinema e política. E uma das discussões mais interessantes foi aquela que se deu sobre a maneira como o cinema costuma retratar as periferias. O Cinefuturo já acabou, mas, ainda assim, vale a pena lembrar alguns pontos dessa discussão.

A pesquisadora Ivana Bentes, da UFRJ, foi responsável por trazer à tona, durante o evento, uma série de polêmicas a respeito disso. Ela, que tomou como base o manifesto "A Estética da Fome", de Glauber Rocha, para cunhar o conceito de "Cosmética da Fome", vem se dedicando ao estudo de questões éticas no campo da produção audiovisual.

A representação da periferia pelo cinema não é tema novo no Brasil. Mas adquiriu destaque na década de 1990 e, mais ainda, depois de Cidade de Deus. Ao longo dos tempos, vimos abordagens de diversos tipos. Desde aquelas que adotam uma romantização extrema até outras que optam por uma demonização extrema do que é pobre e marginal.

Nesse sentido, vale lembrar algumas das produções mais emblemáticas:

Cidade de Deus (2002)

A crítica de Ivana ao filme de 2002 gerou muita polêmica, já que a pesquisadora classificou-o como um tipo de produção caracterizada pela espetacularização da violência, pela ausência de um discurso político explicativo da miséria e da violência (como acontecia nas produções dos anos 1960), e por forjar uma representação em que as favelas aparecem desconectadas do restante da cidade. Segundo ela,
as cenas de violência são espetaculares e siderantes (...) violência gratuita, todos são encorajados a alimentar esse ciclo vicioso. A favela é mostrada de forma totalmente isolada do resto da cidade, como um território autônomo. Em momento algum se pode supor que o tráfico de drogas se sustenta e desenvolve (arma, dinheiro, proteção policial) porque tem uma base fora da favela. Esse fora não existe no filme.
Por falar nisso, na semana passada, um site americano elegeu uma das cenas de Cidade de Deus como a mais violenta do cinema, colocando-o à frente de produções como Laranja Mecânica e Cães de Aluguel.
A polêmica com 5x Favela começa pelo subtítulo. É que esse "agora por nós mesmos" remete ao filme de 1961, chamado simplesmente Cinco Vezes Favela. Para se diferenciar deste primeiro, realizado por cineastas de classe média, o 5x Favela de 2010 - dirigido e escrito por moradores de favelas do Rio de Janeiro - adotou o tal subtítulo. Mas, considerando que "5x Favela - Agora Por Nós Mesmos" foi produzido por Cacá Diegues e que os jovens cineastas receberam treinamento de figuras renomadas do cinema, torna-se possível questionar: "nós quem, cara pálida?" Para Ivana, a coisa seria mais honesta se no subtítulo pudéssemos ler "agora por eles mesmos".

Críticos indianos acusaram o diretor do filme, Danny Boyle, de romantizar a miséria do país, ao mostrar de forma estilizada as terríveis condições de vida dos moradores das favelas de Mumbai. Bentes viu no filme mais ou menos aquilo que, para usar um exemplo extra-cinematográfico, observou sobre o videoclipe de They Don't Care About Us, de Michael Jackson - que veio ao Brasil para gravá-lo em 1998, usando como locações uma favela do Rio de Janeiro e o Pelourinho, em Salvador. Em ambas as situações, os "favelados" são figurantes num super-espetáculo visual, e a imagem da miséria é usada como um plus para este super-espetáculo.

Para mais leituras sobre o tema:

O Copyright da miséria e os discursos sobre a exclusão: http://migre.me/5rVNu
Sertões e favelas no cinema brasileiro: estética e cosmética da fome: http://migre.me/5rVPb


Não me abandone jamais (Never let me go)


"Às vezes me pergunto se nossas vidas foram tão diferentes das que ajudamos a salvar" (Kathy)

Quando a possível cura das principais doenças da humanidade fora descoberta em1952 através de doações de orgãos, diversas instituições foram construídas com o objetivo de "preparar" os doadores para salvarem . Um desses lugares é Hailsham, na Inglaterra, uma escola tradicional e altamente rígida onde os alunos seguem religiosamente os métodos que a instituição impõe. No local, somos apresentados a Kathy (Carey Mulligan), Tommy (Andrew Garfield) e Ruth (Keira Knightley), três crianças que estão começando a descobrir o sentido de suas vidas.

Hailsham era quase um campo de isolamento, que mantinha seus "internos" sob controle à base de histórias assustadoras sobre crianças que já tentaram fugir do local. Entre outras atividades, as crianças eram obrigadas a praticar esportes e produzir todo tipo de arte para uma misteriosa galeria sem que soubessem de sua condição de doadores de orgãos num futuro bem próximo. Enfim, o principal objetivo da instituição é manter os alunos sob o seu domínio, deixando claro que eles não tinham escolha.

As lembranças do local acompanham Tommy e Ruth até a idade adulta, quando já debilitados por incansáveis doações. Já Kathy permanece na função de cuidadora enquanto espera por sua primeira doação. Desde que uma professora revelou para eles o real propósito da Hailsham e de outras tantas escolas do mesmo perfil, eles aceitaram o destino que lhes for a imposto desde a infância e buscam desempenhar um bom papel como doadores desde então.

Conforme os protagonistas vão crescendo, mergulhamos em seus conflitos internos e fica mais difícil não se envolver com o drama, sobretudo porque vemos as situações através do olhar sensível e inocente de Kathy, a mais determinada em "cumprir sua missão". Mas apesar da passividade e inocência dos personagens, o longa se afasta do melodrama, deixando o julgamento de valores nas mãos do espectador até a cena final.

"Não me abandone jamais" provoca muito incômodo ao levantar questionamentos que a maioria das pessoas prefere evitar. Talvez essa tenha sido a maior intenção de Kazuo Ishiro ao escrever o romance homônimo que deu origem ao filme. Sob a direção de Mark Romanek (Retratos de Uma Obsessão), o filme mantém um caráter crível na relação entre os personagens e nos deixa no mínimo pensativos ao final da projeção.

Não me abandone jamais
Título Original:Never let me go
Direção: Mark Romanek
Roteiro: Kazuo Ishiguro, Alex Garland
Elenco: Carey Mulligan, Andrew Garfield e Keira Knightley
Duração: 103 min
Gênero: Drama
Ano: 2011
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Os Smurfs


E a onda de transformar antigos sucessos infantis em filmes não para. Este ano já tivemos Zé Colmeia, e em 2009 Dragon Ball, ambos não tão bem sucedidos. Na última sexta-feira (05/08) os bichinhos azuis mais queridos dos anos 80 e 90 chegaram às telonas. No Brasil Os Smurfs são conhecidos graças a série de desenhos animados transmitidos pela TV GLOBO nas décadas de 80 e 90.

Com uma pegada muito similar a Alvin e os esquilos, os queridos amigos azuis caem em uma aventura pela cidade de Nova Iorque. O malvado mago Gargamel expulsa os Smurfs da sua vila e, através de um portal mágico, eles vêm parar no nosso mundo, bem no meio do Central Park. Agora os Smurfs precisam encontrar um jeito de voltar para a vila antes que Gargamel os localize.

No início do filme temos um narrador contanto um resumo de como é a vida na vila dos Smurfs e apresentando alguns personagens, uma ideia simples, mais que realmente funciona, pois para quem já conhece é uma boa forma de relembrar e para aqueles que não conhecem é uma ótima maneira de ser apresentado a este universo. As técnicas digitais estão bem legais, com um gráfico muito bem produzido.

O roteiro que é um pouco fraco, muito comum mesmo a estas adaptações. De um modo geral o filme garante umas boas gargalhadas. Se você for assisti-lo na intenção de relembrar os queridos bichinhos azuis vai adorar. Agora, com certeza se você for acompanhado de uma criança, esta sim vai se divertir e quem sabe até pedir para assistir novamente.

O filme está disponível nas versões 2D e 3D. Por ter visto em 2D não posso opinar quanto ao uso da terceira dimensão, mas acredito que não seja nada que valha muito a pena. O filme fechou o primeiro final de semana com US$ 36,2 milhões em bilheteria nos EUA e Canadá.

Os Smurfs
Título Original:The Smurfs
Direção: Raja Gosnell
Roteiro: Peyo, J. David Stem
Elenco: Hank Azaria, Neil Patrick Harris, Jayma Mays, Sofia Vergara
Duração: 103 min
Gênero: Aventura
Ano: 2011
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Quero matar meu chefe (Horrible Bosses)


Engolir sapos. Essa é a atitude que Nick Hendricks (Jason Bateman) afirma que todo funcionário deve tomar para conseguir a tão sonhada ascensão na carreira profissional. Ele trabalha num escritório, sonhando há vários meses com uma promoção que seu chefe Dave Harken (Kevin Spacey) o "prometeu". Para isso, Nick precisa tolerar o comportamento absurdo do chefe e o pior de tudo, calado.

Mas ter um chefe detestável não é uma exclusividade de Nick. Seus dois melhores amigos, Kurt Buckman (Jason Sudeikis) e Dale Arbus (Charlie Day) compartilham o mesmo problema. Kurt trabalha para Bobby Pellitt (Colin Farrell), um típico mauricinho que assumiu os negócios da família após a morte do pai. Ele tem prazer em humilhar os empregados e não está nada preocupado com o crescimento da empresa, desde que o dinheiro vá para o seu próprio bolso. Gastando sua fortuna com cocaína, mulheres e produtos de decoração de gosto duvidoso, ele recebe merecidamente o título de "o idiota".

A situação de Dale é igualmente complicada. Ele trabalha num consultório como assistente de dentista e é abusado por sua chefa, Dra. Julia Harris (Jennifer Aniston), "a tarada maluca". Mesmo sabendo que Rec está noivo, a moça faz de tudo para deixá-lo numa situação embaraçosa no ambiente de trabalho. Até quando o rapaz pode resistir a isso?

Os três chefes possuem um perfil altamente desagradável, cada um à sua maneira. Dave é odiado por ser um tirano com os funcionários, Bobby por estar destruindo os negócios da família e Julia por ser sexualmente descontrolada. Motivos que na cabeça dos três amigos são o suficiente para querer matá-los. E é isso que eles vão fazer. Com a ajuda de Dean "motherfucker" Jones (Jamie Foxx numa excelente ponta), os três armam um plano para eliminar um a um os seus chefes intoleráveis não sabendo o que os aguarda pela frente.

Dirigido por Seth Gordon, de séries televisivas como "The Officce" e "Modern Family", o filme é uma divertida aventura entre amigos no estilo comédia de erros. Contando com boas atuações, um toque de linguagem chula e um apanhado de referências a seriados, filmes e personagens famosos, a comédia explora bem o ambiente de trabalho, causador de tanto stress.

O elenco é um show a parte. A escolha do "trio do mal" formado por Kevin Spacey, Colin Farrell e Jennifer Aniston parece ter sido a decisão mais acertada da produção do filme. Eles não aparecem na maior parte do tempo e suas cenas são relativamente rápidas, mesmo assim os personagens funcionam bem. Os três estão bem à vontade em cena e parecem ter se divertido muito nos respectivos papéis. Quem diria que veríamos Jennifer Aniston de lingerie atacando seu assistente em pleno expediente de trabalho. "Quero matar meu chefe" é uma comédia sob medida. A fórmula pode até ser repetida, mas encontra numa excelente direção o ponto certo para fazer rir (sem apelar para a baixaria) e prender a atenção do espectador numa trama policial inusitada. As situações em que Nick, Kurt e Dale se metem são hilárias e algumas viradas interessantes na história permitem que não fique tudo tão óbvio no fim das contas.

Quero matar meu chefe
Título Original:Horrible Bosses
Direção: Seth Gordon
Roteiro: Michael Markowitz, John Francis Daley
Elenco: Jason Bateman, Kevin Spacey, Jason Sudeikis, Charlie Day, Colin Farrell, Jennifer Aniston, Jamie Foxx
Duração: 98 min
Gênero: Comédia
Ano: 2011
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Capitão América: O Primeiro Vingador (Captain America: The First Avenger)


Dando continuidade à construção do seu universo de super-heróis, a Marvel Studios traz para as telas de cinema mais uma aventura de um membro da equipe "Os Vingadores". Capitão América: O primeiro vingador foi uma aposta ousada do estúdio que felizmente alcançou um bom resultado ao construir uma história leve e divertida no contexto caótico da Segunda Guerra.

A história se passa nos anos 1940, quando os EUA decidem se envolver na guerra e enviar suas tropas para lutar na Europa. Nesse período, o jovem Steve Rogers (Chris Evans) tenta de todas as formas entrar para o exército, mas é rejeitado por conta do seu porte físico. Rogers é um garoto muito franzino e de baixa estatura, mas que apresenta uma enorme vontade de servir e, se for preciso, dar a vida pela pátria.

Em uma de suas incansáveis tentativas de alistamento, Rogers conhece um cientista alemão (Stanley Tucci) que fica encantado com a persistência do jovem e o convida a participar de um projeto secreto chamado "Renascimento". O projeto tinha como objetivo formar super soldados que seriam as forças mais importantes do exército na luta contra os nazistas. Dessa experiência bem sucedida surge o Capitão América, um soldado com enorme capacidade física e intelectual que se torna símbolo do poder militar norte-americano.

O Capitão América dos quadrinhos foi um personagem moldado exclusivamente para levantar a moral dos norte-americanos durante a II Guerra Mundial (detalhe que é mostrado no filme com as revistas sendo distribuídas nos campos de concentração). O roteiro de Christopher Markus e Stephen McFeely consegue explicar com eficiência o surgimento desse herói e torna a sua aventura muito interessante mesmo sem tanto foco nas cenas de ação.

Outro mérito do filme é conseguir nos transportar para os anos 1940 sem exagerar no sentimento patriótico-ufanista que o governo queria injetar na população da época. Aliás, com a pouca simpatia que muitos povos têm pelos norte-americanos na atualidade (vide crise econômica, guerras no oriente médio) isso seria um tiro no pé.

Além de ser um filme com personalidade e que se sustenta sozinho dentro do universo Marvel, Capitão América prepara bem o terreno para o que virá por aí. Fiquei com mais vontade de ver Os Vingadores em ação e com a construção dos personagens do grupo sendo feita de forma tão redonda, podemos esperar um bom resultado em 2012.

Capitão América - O Primeiro Vingador
Título Original: Captain America: The First Avenger
Direção: Joe Johnston
Roteiro: Christopher Markus e Stephen McFeely
Elenco: Chris Evans, Hugo Weaving, Tommy Lee Jones, Stanley Tucci
Duração: 124 min
Gênero: Aventura
Ano: 2011
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[Um Filme, uma canção] Black Sheep - Scott Pilgrim vs. the World


Scott Pilgrim vs. the World, filme inspirado na série de quadrinhos criada por Bryan Lee O'Malley, possui uma linguagem própria recheada de referências a cultura pop. Além de ser uma grande homenagem ao universo dos games feita de maneira divertida e empolgante, a adaptação da HQ para as telas de cinema coloca a trilha sonora como um elemento essencial na composição da trama. Aliás, o próprio nome Scott Pilgrim é baseado numa música da banda indie rock noventista, composta apenas por mulheres, chamada Plumtree.

Uma das boas surpresas de 2010 (pelo menos para mim), Scott Pilgrim vs. the World é uma interessante aventura cinematográfica que vale não só pelo seu ótimo visual como também pelo bom ritmo da trama, diálogos bem feitos e a trilha sonora que é um episódio à parte. Veja:

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