No último Cinefuturo, cuja cobertura você conferiu aqui no Cine Mosaico, muito se discutiu sobre a relação entre cinema e política. E uma das discussões mais interessantes foi aquela que se deu sobre a maneira como o cinema costuma retratar as periferias. O Cinefuturo já acabou, mas, ainda assim, vale a pena lembrar alguns pontos dessa discussão.

as cenas de violência são espetaculares e siderantes (…) violência gratuita, todos são encorajados a alimentar esse ciclo vicioso. A favela é mostrada de forma totalmente isolada do resto da cidade, como um território autônomo. Em momento algum se pode supor que o tráfico de drogas se sustenta e desenvolve (arma, dinheiro, proteção policial) porque tem uma base fora da favela. Esse fora não existe no filme.

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Críticos indianos acusaram o diretor do filme, Danny Boyle, de romantizar a miséria do país, ao mostrar de forma estilizada as terríveis condições de vida dos moradores das favelas de Mumbai. Bentes viu no filme mais ou menos aquilo que, para usar um exemplo extra-cinematográfico, observou sobre o videoclipe de They Don’t Care About Us, de Michael Jackson – que veio ao Brasil para gravá-lo em 1998, usando como locações uma favela do Rio de Janeiro e o Pelourinho, em Salvador. Em ambas as situações, os «favelados» são figurantes num super-espetáculo visual, e a imagem da miséria é usada como um plus para este super-espetáculo.
Para mais leituras sobre o tema:
O Copyright da miséria e os discursos sobre a exclusão: http://migre.me/5rVNu
Sertões e favelas no cinema brasileiro: estética e cosmética da fome: http://migre.me/5rVPb
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at 16:16
essa imagem de excentricidade do terceiro mundo encanta os olhos do mundo "civilizado" da europa e EUA….resumindo…são filmes feitos para "inglês ver"…o exótico…a miserabilidade e demonização da favela é a imagem que o brasil faz questão de vender lá fora…agora como um pais que tem essa imagem ainda quer produzir uma copa do mundo e uma olimpiadas….haja marketing…muito MKT.
at 1:20
Algo bem tupiniquim, né?
at 19:11
Primeiramente, ótimo post. Essa história de "cosmética da fome" é um erro de análise claro. Primeiro, porque o filme é uma obra de ficção, portanto, sem uma obrigação verossímil a esse ponto. Segundo, que não é verdade que Cidade de Deus aborda a favela "desconectada" do resto da cidade. Acho melhor essa mulher rever o filme hhehehe Mas é ótimo levantar essa discussão.
at 4:46
olá,
Convido você a participar do novo agregador de links http://www.surpriselink.com, o agregador mais diferente dos que você já viu, em 2 idiomas, liberação de links na hora e muito mais.