O filme "Ela" (no original "Her"), dirigido por Spike Jonze, é uma das obras mais sensíveis do cinema contemporâneo. Lançado em 2013 e vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Original, o longa-metragem acompanha a vida de Theodore Twombly (Joaquin Phoenix), um escritor solitário que desenvolve uma relação amorosa com Samantha, um sistema operacional com inteligência artificial (voz de Scarlett Johansson).
Uma cena que exemplifica a beleza visual e emocional do filme é quando Theodore caminha por uma Los Angeles banhada por luz alaranjada, conversando com Samantha através de um fone de ouvido. A direção de fotografia de Hoyte van Hoytema utiliza tons pastéis e desfoques para criar uma sensação de intimidade e isolamento ao mesmo tempo. A cidade é mostrada como um cenário futurista próximo, com arranha-céus vidrilhos e gente apressada, mas o que importa é o silêncio emocional que cerca Theodore.
A música de Arcade Fire, que embala diversas sequências, contribui para a atmosfera melancólica e esperançosa. A cena em questão, com Theodore sorrindo sozinho enquanto ouve Samantha falar sobre o amor, captura a essência do filme: a busca por conexão em um mundo cada vez mais tecnológico. A trilha original de Arcade Fire foi indicada ao Globo de Ouro e se tornou parte importante da identidade do filme.
O trabalho de atuação de Joaquin Phoenix é minimalista e profundo. Ele consegue transmitir carência, alegria e decepção apenas com expressões corporais e faciais, já que a maior parte de suas interações é com uma voz. Scarlett Johansson empresta a Samantha uma humanidade que faz o espectador esquecer que se trata de um sistema operacional.
Ela é um convite à reflexão sobre o que significa amar e ser amado, mesmo quando o outro não é de carne e osso. A cena descrita permanece na memória do espectador muito após os créditos finais, lembrando-nos que a solidão moderna pode ser curada com uma conexão genuína, seja ela com quem – ou com o quê – for.
