Lembram-se de quando a animação brasileira ganhou os holofotes? Em 2011, o diretor Carlos Saldanha, que já havia conquistado o público com A Era do Gelo, trouxe uma história tão colorida quanto a cidade que lhe dá nome. Rio é uma aventura animada que acompanha Blu, uma arara-azul mimada e domesticada, que vive em Minnesota com sua dona Linda. Quando um ornitólogo aparece para informar que Blu é o último macho de sua espécie, ele é levado ao Rio de Janeiro para cruzar com a fêmea Jade. O problema? Blu não sabe voar, e a cidade é uma verdadeira selva de pedra.

O grande trunfo do longa é a recriação do Rio de Janeiro. De cabo a rabo, a cidade é retratada com uma riqueza de detalhes de tirar o fôlego – o Pão de Açúcar, o Cristo Redentor, as praias de Copacabana, o bondinho de Santa Teresa e o colorido do bairro da Lapa. Tudo é exagerado e estilizado, mas com um carinho que só um brasileiro poderia ter. As sequências de voo, especialmente durante o Carnaval, são um espetáculo visual à parte.

Os personagens são outro ponto alto. Blu (voz de Jesse Eisenberg na versão original) é um protagonista adorável em sua insegurança, enquanto Jade (Anne Hathaway) traz a energia e a determinação. O elenco de apoio – o louva-a-deus louco de will.i.am, o bulldog de Tracy Morgan e os vilões Nigel (Jemaine Clement) e Mau (George Lopez) – garante risadas e momentos de tensão. A dublagem brasileira é igualmente caprichada, com nomes como Daniel Boaventura e Sylvia Salustti.

Musicalmente, Rio é uma festa. A trilha sonora mixa samba, bossa nova e pop de forma irresistível. Real in Rio, indicada ao Oscar de Melhor Canção Original, é uma declaração de amor à cidade. As cenas musicais são integradas com naturalidade, e é impossível não sair cantarolando.

Claro, a trama não é inovadora – segue a velha fórmula do animal domesticado que descobre a liberdade. Mas a jornada é tão charmosa e visualmente deslumbrante que isso pouco importa. O filme também levanta questões sobre tráfico de animais e preservação ambiental, ainda que de modo sutil, adequado ao público infantil.

Rio é, acima de tudo, uma carta de amor do diretor à sua terra natal. Uma animação que diverte, emociona e faz qualquer um querer pegar o primeiro voo para a Cidade Maravilhosa. Para quem cresceu com as histórias de Saldanha, é um prato cheio. Vale cada minuto.