O ano de 2011 marcou o retorno de uma das franquias mais icônicas do terror slasher. Com "Pânico 4" (Scream 4), Wes Craven e Kevin Williamson desafiaram as expectativas ao trazer Sidney Prescott (Neve Campbell) de volta a Woodsboro. Desta vez, o discurso não era apenas sobre os filmes de terror, mas sobre o próprio conceito de remake e reboot que assolava Hollywood. A metalinguagem que consagrou a franquia ganha um novo fôlego ao estudar as regras de uma "reinicialização" dentro de uma sequência direta.

Sidney retorna à sua cidade natal para o lançamento de seu livro de autoajuda, reencontrando Gale Weathers (Courteney Cox) e Dewey Riley (David Arquette), que agora é o xerife. Enquanto uma nova geração de adolescentes se prepara para o aniversário do massacre original, o assassino Ghostface ergue sua faca novamente. A diferença é que o novo algoz segue as novas regras do horror moderno: tudo é mais extremo, mais violento e consciente de sua própria existência como filme. A cena de abertura, com as Stab sendo exibidas, é uma aula de subversão e uma das melhores da série.

A trilogia original brincava com os clichês do gênero; "Pânico 4" brinca com a nostalgia e a saturação das próprias franquias. O elenco jovem, com destaque para Hayden Panettiere (Kirby) e Emma Roberts (Jill), segura bem o posto, enquanto o trio original traz a maturidade e o peso emocional que a trama exige. O roteiro de Williamson é afiado, cheio de referências e reviravoltas que recontextualizam toda a mitologia da série, transformando Jill em uma das final girls mais complexas e assustadoras do cinema.

Veredito: "Pânico 4" é um filme que envelheceu extremamente bem. Em uma época onde os remakes eram genéricos e sem personalidade, Craven entregou um longa que não apenas funciona como um slasher de primeira linha, mas como um ensaio ácido sobre a cultura do reboot, a busca pela fama instantânea e a viralização da violência. O desfecho, com Jill manipulando a mídia, é um comentário profético sobre a sociedade que viria a seguir. Imperdível para fãs da série e para quem estuda a evolução do gênero de terror.

← Voltar para Críticas