Lançado em 2010, O Mágico (L'Illusionniste) é a segunda animação dirigida por Sylvain Chomet, mesmo diretor de As Bicicletas de Belleville. A obra é baseada em um roteiro originalmente escrito por Jacques Tati nos anos 1950, que nunca havia sido filmado. Chomet adapta o texto com uma sensibilidade única, transformando-o em uma homenagem ao cinema mudo e ao universo do grande comediante francês.

A trama acompanha um mágico já em fim de carreira, forçado a se apresentar em teatros cada vez menores até chegar a uma isolada ilha escocesa. Lá, seu encontro com uma jovem ingênua que acredita piamente em sua «magia» desencadeia uma série de eventos que exploram temas como ilusão, afeto e o inevitável avanço do tempo. A relação entre os dois é construída sem diálogos diretos, confiando inteiramente na expressividade da animação e na linguagem corporal dos personagens.

Visualmente, o filme é um espetáculo. Chomet abandona o estilo mais cartunesco de sua obra anterior para um traço mais lírico e realista, pintando a Escócia e Paris com aquarelas digitais de tirar o fôlego. A ausência de falas (com exceção de algumas palavras soltas ou cantadas) reforça o isolamento do protagonista e o poder da comunicação visual.

O Mágico é uma fábula agridoce sobre o fim de uma era e os sacrifícios feitos por amor à arte. É uma animação tocante e visualmente refinada, que merece ser descoberta ou revisitada. Recomendado para quem aprecia animações autorais e histórias com profundidade emocional.