Em 2011, Neil Burger entregou ao público um dos thrillers de ficção científica mais estilosos da década. "Sem Limites" (Limitless) parte de uma premissa irresistível: e se existisse uma droga capaz de desbloquear 100% do potencial do cérebro humano? O resultado é um filme rápido, visualmente inventivo e ancorado por uma atuação magnética de Bradley Cooper.

Eddie Morra (Cooper) é um escritor nova-iorquino que enfrenta um enorme bloqueio criativo. Sua vida é uma sequência de fracassos, até que ele reencontra Vernon (Johnny Whitworth), o irmão de sua ex-namorada, que lhe apresenta ao NZT-48. A pílula transparente e minúscula transforma Eddie em uma máquina de produtividade. Ele termina seu livro em dias, aprende idiomas em horas e começa a manipular o mercado financeiro com uma facilidade assustadora.

O diretor Neil Burger utiliza uma série de truques visuais para representar os efeitos do NZT: zooms rápidos, cores saturadas, mapas mentais sobrepostos e uma edição ágil que coloca o espectador dentro da mente acelerada de Eddie. Essa abordagem estilizada é o grande trunfo do filme, transformando o que poderia ser um drama intelectual em um espetáculo sensorial.

Claro, o sucesso tem um preço. Eddie logo descobre que o NZT tem efeitos colaterais severos — dores de cabeça, lapsos de memória e uma perseguição implacável de um agiota coreano (Andrew Howard) e de um magnata das finanças (Robert De Niro, em um papel contido mas eficaz). A trama se transforma em uma corrida contra o tempo, onde Eddie precisa encontrar uma saída antes que seu corpo e sua mente entrem em colapso.

Bradley Cooper carrega o filme nas costas. Sua transformação do Eddie abatido e confuso para o gênio dos negócios é crível e cativante. Abbie Cornish, como sua namorada Lindy, tem pouco o que fazer, mas cumpre seu papel.

"Sem Limites" não é um filme perfeito. Seu terceiro ato se apoia em conveniências e a resolução pode frustrar alguns. No entanto, como um exercício de estilo e uma reflexão sobre ambição e dependência, o filme é um sucesso. É uma daquelas obras que ficam melhores na memória do que realmente são, mas que valem cada minuto de projeção pela energia contagiante.

Se você ainda não viu, prepare-se para uma viagem alucinante. E se já viu, talvez seja a hora de rever.