Adaptar uma série clássica dos anos 80 para os dias de hoje é sempre uma aposta arriscada. Com Esquadrão Classe (The A-Team), o diretor Joe Carnahan (de Narc e Busca Implacável 2) abraçou o desafio de trazer o famoso time de soldados da fortuna para uma nova geração. O resultado é um blockbuster cheio de testosterona, explosões calculadas e um humor que transborda nostalgia, mesmo que nem sempre acerte no alvo.
Condenados por um crime que não cometeram, o genial coronel John "Hannibal" Smith (Liam Neeson), o sedutor Tenente Templeton "Faceman" Peck (Bradley Cooper), o bruto Brutus "Monstruoso" Baracus (Quinton "Rampage" Jackson) e o piloto excêntrico H.M. "Louco" Murdock (Sharlto Copley) fogem de uma prisão militar de segurança máxima. Agora, vivendo como mercenários, eles precisam limpar seus nomes enquanto realizam missões impossíveis para clientes misteriosos e enfrentam um vilão que parece estar sempre um passo à frente.
A química do elenco é, de longe, o ponto mais alto do filme. Liam Neeson, mesmo em um papel puramente de ação, entrega a gravidade calculista e a liderança inspiradora de Hannibal. Bradley Cooper está no auge do seu carisma como Face, o faturista do grupo que dá um jeito de conseguir qualquer recurso. Sharlto Copley é uma revelação cômica como Murdock, o louco favorito dos fãs, trazendo uma imprevisibilidade que funciona perfeitamente. Já Rampage Jackson substitui a lenda Mr. T com uma fisicalidade bruta e intimidadora, embora seu carisma e timing cômico não cheguem aos pés do original, o que faz falta em alguns momentos.
Carnahan dirige a ação de forma implacável e criativa. O filme não para. Da cinematográfica e quase operística fuga da prisão utilizando um tanque, até a sequência final absurda onde o mesmo tanque é jogado de um avião C-130 em pleno voo, a física é deixada de lado para dar lugar ao puro espetáculo. A cena do tanque voando é, sem dúvida, um dos momentos mais divertidos e memoráveis do cinema de ação de 2010. A edição é frenética e a câmera nunca fica parada, capturando a energia caótica do time.
No entanto, Esquadrão Classe não é um filme perfeito. O roteiro, escrito por Carnahan, Brian Bloom e Skip Woods, apressa a apresentação dos personagens para chegar logo à ação. Os vilões, interpretados por Patrick Wilson e um canastrão C. Thomas Howell, são genéricos e esquecíveis, servindo apenas como obstáculos funcionais. Para os fãs mais puristas da série clássica, a ausência de Mr. T e a modernização excessiva do visual (substituindo a icônica van preta e vermelha por um veículo blindado cinza) pode pesar. Em 117 minutos, o ritmo acelerado pode soar exaustivo e deixa pouco espaço para um desenvolvimento de trama mais sólido.
Ainda assim, Esquadrão Classe funciona exatamente como deveria: é um entretenimento pipoca de primeira linha, que homenageia a série original enquanto se estabelece como um filme de ação por direito próprio. As cenas de ação são de alto nível, o humor funciona na maior parte do tempo, e a sensação de camaradagem entre os protagonistas faz valer a viagem. Se você está procurando diversão descompromissada e não tem medo de suspender a descrença, pode chamar o time: eles adoram quando um plano dá certo.
