Bruna Surfistinha: O Doce Veneno do Escorpião foi um dos lançamentos mais comentados de 2011, menos pela qualidade cinematográfica e mais pelo fenômeno cultural que a história de Raquel Pacheco representou. Dirigido por Marcus Baldini, o filme tem a difícil tarefa de adaptar a autobiografia que chocou o Brasil.
Atuação central
Deborah Secco é, de longe, o maior acerto do longa. Sua dedicação ao papel é visível em cada cena. Ela não apenas incorpora fisicamente a personagem, mas transita entre a fragilidade de Raquel e a persona desinibida de Bruna com uma naturalidade que prende a atenção. Secco segura o filme nas costas, e seu trabalho foi justamente reconhecido com diversos prêmios.
Direção e roteiro
O roteiro, assinado por Homero Olivetto e Julie Sayres, opta por uma narrativa linear que acompanha Raquel desde a saída de casa até o auge da fama. O problema é que, ao tentar cobrir muitos anos, o filme passa superficialmente por momentos-chave, como o envolvimento com o cliente que vira namorado e o processo de autodescoberta. A direção de Baldini é correta, mas carece de ousadia visual, resultando em um filme que se parece mais com um drama televisivo do que com uma obra cinematográfica marcante.
Trilha e ambientação
A trilha sonora ubíqua, com hits de bandas como Fat Family e NX Zero, funciona bem para contextualizar a época, mas por vezes parece sublinhar demais emoções que já estavam claras. A fotografia de Nonato Estrela captura bem a luz fria dos apartamentos e o breu dos motéis, criando um contraste visual interessante entre a vida dupla de Raquel.
Veredito
Bruna Surfistinha não é um grande filme, mas é uma obra sincera. Cumpre seu papel de entreter e jogar luz sobre uma história real que transcendeu o universo da noite. Para quem quer entender o fenômeno ou apreciar uma boa atuação protagonista, é uma sessão que vale a pena. Deixa a desejar para quem esperava uma abordagem mais contundente ou artística sobre o tema.
