Lançado em 2010, Hereafter – ou Além da Vida – é um filme que marca mais uma incursão de Clint Eastwood no terreno do sobrenatural e do drama humano. Diferente de outros trabalhos do diretor, como Menina de Ouro e Gran Torino, este longa aposta em uma narrativa fragmentada, acompanhando três personagens em continentes distintos, cada um lidando com a morte e com a possibilidade de uma existência além desta.
George (Matt Damon) é um operário que possui o dom – ou a maldição – de se comunicar com os mortos. Marie (Cécile de France) é uma jornalista francesa que, após sobreviver a um tsunami, passa a ter visões. Já o pequeno Marcus (interpretado por Frankie e George McLaren) perde o irmão gêmeo em um acidente e busca desesperadamente um meio de reencontrá-lo. As três tramas, aparentemente independentes, convergem em um desfecho que tenta amarrar o tema central: o que nos espera depois da morte?
A proposta é ambiciosa, mas a execução dividiu opiniões. Enquanto alguns críticos elogiaram a sensibilidade e a abordagem contida de Eastwood, outros apontaram um roteiro irregular e um ritmo que vacila entre o drama íntimo e o suspense espiritual. De todo modo, a atuação de Matt Damon – contida e convincente – é um dos pontos altos, assim como a fotografia de Tom Stern, que captura tanto a beleza quanto a melancolia dos cenários.
Para quem acompanha a filmografia de Eastwood, Hereafter é uma obra curiosa: não chega a ser um dos seus melhores filmes, mas também não pode ser ignorada. É um filme que provoca reflexão, especialmente para aqueles que já se perguntaram sobre o que há depois do fim. A trilha sonora, embora discreta, contribui para a atmosfera contemplativa que permeia toda a projeção.
Nota do Cinemosaico: Uma produção que vale a pena ser vista, desde que se esteja aberto a um drama contemplativo e com toques de realismo mágico. Apesar das críticas mistas, a obra mantém a assinatura de Eastwood: humana, séria e visualmente elegante.
