01/12/10 – 01/01/11

Arquivo de Dezembro 2010 – Cine Mosaico

Destaques do cinema em 2010

Bem amigos, chegamos ao final de mais um ano e como sempre, o clima de alegria toma conta das pessoas fazendo-as saltitarem (?) de alegria em intermináveis confraternizações. Os produtores, diretores e todos os envolvidos na indústria do cinema também têm muito o que comemorar ao final de 2010. Segundo o Sindicato das Empresas Distribuidoras Cinematográficas do Rio de Janeiro, cerca de 135 milhões de espectadores passaram pelos cinemas em 2010 – contra 112 milhões no ano passado – gerando uma renda bruta estimada em R$ 1,27 bilhão. Num ano de tanto crescimento no setor, algumas produções merecem destaque, assim como as figuras ilustres que estão envolvidas no processo. Confira a lista do mosaicultural com os maiores destaques da indústria cinematográfica em 2010:
Milionário, fanfarrão e super inteligente, Tony Stark continua sua jornada com sua identidade de "herói" já revelada ao mundo. O roteiro mais leve e as sacadas engraçadinhas de Robert Downey Jr fizeram de "Homem de Ferro 2" um dos filmes mais divertidos de 2010. Um aquecimento da Marvel para o que virá em 2011 com a chegada de "Thor" e "Capitão América".
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E que tal vestir uma roupa de mergulho e sair combatendo o crime por aí? Loucura? "Kick Ass" conta a história de Dave (Aaron Johnson), um garoto nerd e fã de quadrinhos (isso é redundante) que resolve bancar o herói pela cidade até perceber que se meteu com as pessoas erradas. A história, adaptação de uma HQ da Marvel comics, foi uma das surpresas de 2010, agradando bastante os fãs do gênero.
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A história do nerd que para conquistar a garota dos sonhos precisa derrotar a liga dos 7 ex-namorados do mal foi muito elogiada pela crítica norte-americana, mas foi um fracasso de bilheteria nos EUA e Europa. Aqui no Brasil, a estreia de "Scott Pilgrim vs the World" nos cinemas foi uma verdadeira novela. No fim das contas, o filme só foi exibido nas salas de São Paulo e Rio de Janeiro. Nerds do restante do Brasil tiveram que apelar para o download.
Uma história de amizade que explora uma chance remota de encontro entre duas pessoas em lados opostos do mundo. "Mary and Max", animação australiana em stop-motion, capricha na sua bela fotografia, personagens complexos recheados de melancolia e cenários ricos em detalhes. Prova que animação já deixou de ser "coisa de criança" a muito tempo.
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Baseada numa série de livros de Cressida Cowell, "Como treinar o seu dragão", animação dirigida por Dean DeBlois e Chris Sanders, traz a história de menino, filho de um Viking, que decide treinar seu desajeitado dragão para se tornar um grande herói. Com personagens seus carismáticos, o filme diverte, emociona e inclui a dreamworks no hall das melhores animações de 2010.
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Com um enredo leve e emocionante (e o velho "toque" da Pixar), mais uma vez a turma de brinquedos do Andy conquistou adultos e crianças em "Toy Story 3", tornando-se a maior bilheteria de filmes de animação de todos os tempos. Além de ser o favorito ao Oscar de melhor animação, os produtores do filme querem mais. Repetir o feito de "A Bela e a Fera" e "Up – Altas aventuras", sendo indicado também na categoria de melhor filme.
Aos 13 anos de idade, Cholë Moretz já mostra a que veio. Após uma pequena participação no romance "500 dias com ela", a atriz mirim roubou a cena em "Kick Ass" interpretando a assassina graciosa Hit Girl ao lado de (quem diria) Nicolas Cage, em seu melhor papel no ano. Cholë Moretz também é a protagonista do remake de "Deixe ela entrar", que foi definido como o melhor horror da década por ninguém menos que Stephen King.
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Julianne Moore dispensa apresentações. Linda, talentosa e com presença em grandes filmes como "Magnolia" e "Ensaio sobre a cegueira", a experiente atriz norte-americana estrelou bons filmes em 2010 e se destacou em "Minhas mães e meu pai", sendo indicada ao globo de ouro de melhor atriz. Apesar de toda a bagagem profissional, a atriz nunca ganhou um Oscar na carreira. Será que dessa vez ela finalmente leva uma estatueta para casa?
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Depois de grandes atuações em "V de Vingança", "Entre irmãos" e "Closer", Natalie Portman se tornou uma das atrizes mais renomadas de Hollywood. Em 2010, a atriz de 29 anos encantou o público com uma brilhante interpretação no suspense "Cisne Negro". O filme, com estreia prevista para fevereiro no Brasil, foi indicado em 5 categorias no Globo de Ouro (incluindo melhor atriz para Portman) e é um dos favoritos na disputa pelo Oscar.
Colin Firth conseguiu em 2010 sua primeira indicação ao Oscar na categoria de Melhor Ator pelo ótimo filme "Direito de Amar" onde atuou ao lado de Julianne Moore. Além disso os críticos do Círculo de Críticos Cinematográficos de Nova York elegeram o britânico como o melhor ator do ano, por sua interpretação em "O discurso do rei".
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Famoso desde que interpretou o personagem Jack Dawson em "Titanic", Leonardo DiCaprio confirmou em 2010 uma ascensão estrondosa na carreira. A revista Forbes considerou o ator Leonardo DiCaprio como o mais rentável de Hollywood em 2010. Participando de dois grandes lançamentos do ano, "Ilha do Medo" e "A Origem", DiCaprio conseguiu acumular cerca de US$1,1 bilhão mundialmente.
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Um jovem ator pouco conhecido do grande público. Em 2010, Jesse Eisenberg atuou nos filmes "Zumbilândia" e Férias Frustradas de Verão "Adventureland", mas foi em "A Rede Social" que ganhou grande reconhecimento, interpretando o criador do Facebook Mark Zuckerberg. Por esse papel, Eisenberg foi indicado a diversos prêmios, incluindo o Globo de Ouro de Melhor Ator.
Apesar de "Avatar", mais recente filme de James Cameron, ter sido lançado em 2009, foi no início desse ano que o filme ultrapassou "Titanic" (do próprio James Cameron) e atingiu a marca de maior bilheteria da história do cinema. Além disso, o diretor foi eleito pelos críticos do Guardian Film Power 100 o homem mais influente do cinema atual.
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Christopher Nolan tem uma filmografia pequena comparada a outros cineastas da mesma geração. São 7 longas metragens no total, entre eles "O Grande Truque" e o grande sucesso "Batman: O cavaleiro das trevas". Com "A Origem", o diretor conseguiu outra vez a aclamação do público e da crítica. No IMDB o filme foi eleito o melhor filme de 2010 e o 6º melhor da história, perdendo apenas para clássicos como "Pulp Fiction" e "O Poderoso Chefão".
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"Seven", "Clube da Luta" e "O curioso Caso de Benjamin Button", o que esses ótimos filmes tem em comum? Brad Pitt! A direção de David Fincher, o norte americano responsável pelo filme hype de 2010. "A Rede Social", filme centrado na história do criador do Facebook, foi nomeado o melhor filme do ano pelo Círculo de Críticos Cinematográficos de Nova York, que elegeu ainda David Fincher, o melhor cineasta de 2010.
Chico não morreu. A vida e obra do médium brasileiro fizeram bonito nos cinemas em 2010. Os filmes "Nosso Lar" e "Chico Xavier" estão na lista dos que mais arrecadaram nas bilheterias desse ano. Dos 10 filmes contidos na lista 3 são brasileiros, o que prova a grande evolução das produções nacionais.
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O Projeto "5x favela – Agora por nós mesmos" reuniu jovens cineastas moradores de favelas do Rio de Janeiro, treinados e capacitados em oficinas profissionalizantes de audiovisual ministradas por feras do cinema como Fernando Meirelles e Daniel Filho. O resultado não poderia ser outro, uma obra espetacular com 5 curtas metragens, onde os jovens diretores tiveram a liberdade de mostrar o seu olhar sobre as comunidades cariocas.
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O inimigo agora é outro. Com essa premissa, a jornada do Capitão Coronel Nascimento foi o grande destaque brasileiro de 2010 tornando-se o filme nacional mais visto da história com mais de 22 milhões de espectadores. "Tropa de Elite 2", história que se passa 10 anos depois do primeiro filme, mantém o foco na questão dos conflitos nas grandes cidades, mas deixa claro que o BOPE é apenas um reflexo da política de segurança pública brasileira.
Mais uma vítima das traduções toscas, "Minhas mães e meu pai" (The Kids are All Right) é uma comédia dramática estrelada por Julianne Moore e Annette Bening. As duas formam um casal gay que possuem dois filhos adolescentes concebidos através da inseminação artificial de um doador anônimo. Quando Paul (o doador) aparece, o cotidiano da família muda completamente. O filme retrata sensivelmente as relações de gênero atuais e reais, sendo divertido e interessante, sem ser chato e "meloso".
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Ficção científica sombria com um toque de saga de samurai. "O Livro de Eli" ambienta-se num futuro pós-apocalíptico num planeta destruído e vivendo o horror da fome e do caos do inverno nuclear. Nesse universo, Eli (Denzel Washington) segue uma jornada protegendo um misterioso livro que parece conter um poder inestimável. O filme se destaca pela fotografia e lutas bem coreografadas com espadas e facas, além de Denzel Washington em ótima forma.
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Quem disse que garotas não tocam guitarras elétricas? "The Runaways", primeira banda de Rock formada somente por mulheres, mostrou ao mundo que era possível um fazer um som agressivo com charme feminino. A cinebiografia da banda chegou com um certo destaque por trazer em seu elenco duas das garotas mais badaladas do momento, Dakota Fanning e Kristen Stewart, as garotas da saga Crepúsculo.
Filme decepção do ano, afinal, fãs de Tim Burton esperavam mais... muito mais dele. Adaptação do conto de Charles Lutwidge Dodgson, a versão Tim Burton de "Alice no País das maravilhas" não conseguiu empolgar nem com todo o exagero de computação gráfica para criar o mundo encantado de Alice. Ao menos foi uma oportunidade de Johnny Depp soltar a franga mostrar sua versatilidade como ator.
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Talvez a minha implicância com Angelina Jolie como atriz, sobretudo em filmes de ação, faça com que "SALT" seja para mim mais um filme "quem se importa". Mulher bonita explodindo prédios, matando guardas, correndo dos agentes do FBI – tem coisa mais original do que agente do FBI? – e só. Prefiro a Milla Jovovich matando zumbis em "Resident Evil" #prontofalei.
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Robert de Niro e Edward Norton num thriller chamado HOMENS EM FÚRIA significa... #fail. Apesar da boa atuação da dupla nos momentos iniciais do filme, aos poucos a trama se perde na mediocridade com argumentos que não se sustentam e eventos soltos que não levam a lugar nenhum. A aparição "sexy" de Milla Jovovich em alguns momentos do filme, consegue dar um clima ainda mais forçado a história. Pior filme do ano. Parabéns.
A Marvel resolveu investir pesado nos principais heróis que compõem o universo das suas HQs. Com "Thor", filme que conta a história de como o Deus do Trovão (Chris Hemsworth) foi banido por seu pai e exilado na Terra, a Marvel espera repetir o sucesso das franquias "Homem de Ferro" e "Spider Man". Um dos filmes mais esperados em 2010, principalmente para os fãs que ficaram na expectativa ao verem a cena extra no final de "Homem de Ferro 2".
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Depois de especulações se Johnny Depp voltaria à franquia "Piratas do Caribe" na pele do hilário pirata Jack Sparreow, já está mais que confirmado: o capitão volta para o mar ao lado de... Penélope Cruz? Isso mesmo, Keira Knightley não estará na quarta sequência de Piratas do Caribe, em compensação, Penélope Cruz é a nova estrela da trama. A bela atriz espanhola fará o papel de um antigo amor do capitão em "Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas"
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Achou estranho não falarmos de Harry Potter até agora? Pois aqui está. A segunda parte de "Harry Potter e as Relíquias da Morte" promete ser o primeiro grande evento cinematográfico da próxima década. Após 10 anos desde o primeiro filme, Hermione, Harry e Rony se despedem dos fãs em 2011, encerrando uma das sagas de maior sucesso da história do cinema, agora é esperar pra ver os recordes...
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Obrigado leitores e seguidores do Blog. Sem vocês, o mosaicultural não chegaria ao final de mais um ano. Voltaremos as atividades normais do blog no dia 10/01/2010. Até lá, confiram os posts que foram destaque nesse ano (na barra lateral →→ ) e nos acompanhe no twitter @mosaicultural.

Um Abraço, Equipe Mosaicultural.
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The Runaways – Garotas do Rock

Numa época onde só existiam reis do rock, elas foram as primeiras rainhas.
Criação do empresário Kim Fowley, que viu o potencial milionário de colocar em cena cinco adolescentes vestidas com roupas de couro apertadas ao som de Rock and Roll, The Runaways foi a primeira banda de rock and roll formada inteiramente por garotas. O principal motivo do meu interesse pelo filme da banda foi a presença de Dakota Fanning e Kristen Stewart no elenco por se tratar de uma cinebiografia importante para entender como funciona parte da atual indústria fonográfica.

The Runaways foi uma banda "fabricada" na década de 70 para ir contra a maré de homens dominando o Rock and Roll e consequentemente fazer sucesso. Inspiradas pelos ícones do rock David Bowie, Suzi Quattro e Iggy Pop, as garotas conquistaram o seu espaço na cena rock dos anos 70 com um estilo peculiar – primitivo, agressivo, porém sedutor.
O filme aborda o período entre 1975-1977 do ponto de vista de Cherie Currie (Dakota Fanning) líder do grupo, que na época era formado apenas com garotas de 16 anos ou menos. Do sucesso fulminante à separação, o filme mostra os clichês habituais do rock and roll (bebidas, drogas e hedonismo em excesso) sucumbindo a estrutura do grupo, além de desacordos financeiros e intrigas pessoais, responsáveis pela separação das integrantes.

A diretora Floria Sigismondi, experiente na área de videoclipes musicais, traz a trajetória da banda pop-punk para as telas com a dose certa de rebeldia, sensualidade e humor. E isso funciona. Stewart e Fanning estão muito bem em cena, o que torna o final do filme um clichê assistível. Apesar do final trágico da banda, The Runaways conseguiu passar a sua mensagem, que embora muitos ainda preferem a presença masculina no cenário do Rock, as mulheres conseguem ao menos chamar a atenção para si.

Enterrado Vivo – Prenda a respiração

♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ (6/8)
Paul Conroy (Ryan Reynolds) é um americano motorista de caminhão no Iraque e acorda, sem saber como, enterrado vivo dentro de caixão de madeira. Sem saber o que aconteceu e o porquê de estar ali, ele tem em suas mãos apenas um telefone celular e um isqueiro. Começa então uma tensa corrida contra o tempo e a falta de ar. E a pressão aumenta ainda mais quando os sequestradores exigem um resgate milionário para libertá-lo e um vídeo com suas imagens vão parar no You Tube.

TENSO. Eis uma palavra para descrever uma hora e trinta e sete minutos de Ryan Reynolds preso dentro de um caixão enterrado no deserto iraquiano. Enterrado vivo não foi um daqueles filmes muito comentado ou esperado esse ano aqui no Brasil, e para muitos passou completamente batido em meio aos outros lançamentos, lá fora o reconhecimento da obra veio através do respeitado prêmio da National Board of Review.
Por ter apenas um ator em cena durante todo o filme, a história tem que passar ao público a exata sensação de um ser humano preso naquelas condições, e nisso Reynolds se saiu muito bem com suas expressões corporais que vão do desespero ao sarcasmo entre um telefonema e outro. Quem espera apenas um filme que explora os limites do cinema, causando extrema agonia em quem o vê pode se surpreender com toda a discussão política em torno da diplomacia americana. Paul é mantido dentro do caixão como um prisioneiro militar (embora não seja soldado), e tem que convencer a embaixada americana (que não negocia com terroristas) a pagar o resgate milionário.
O filme não se prende a desvendar quem são os sequestradores de Paul ou o que aconteceu antes dele ser enterrado, esse talvez seja o maior mérito da história. Assim como o espectador, Paul vai descobrindo aos poucos através de telefonemas, o que o levou aquele lugar e o que é preciso fazer para se livrar. Uma ideia simples, orçamento mínimo, roteiro com boas reviravoltas e 17 dias de filmagem dentro de um caixote, foram necessários para fazer o filme-agonia mais impressionante e claustrofóbico do ano.

Ps' É um filme para ser visto no cinema e desaconselhado para pessoas com claustrofobia.

Os piores títulos.

As adaptações dos títulos dos filmes para o português são um capítulo à parte quando se trata de cinema. São subtítulos que aparecem do nada e sentidos que são absolutamente alterados, nos fazendo pensar "mas quem foi o tradutor sem noção responsável por isso?"
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Uma das últimas traduções bizarras que me chamou a atenção foi a que transformou "I love you Phillip Morris" em "O golpista do ano". O filme de 2009, estrelado por Jim Carrey, é baseado em fatos reais e conta a história de Steven Russel. E tudo bem que o protagonista é, de fato, um golpista, mas a história não se resume a isso, já que trata-se também de uma história de amor (Russel, que é gay, vive um romance com Phillip Morris, interpretado por Ewan McGregor). Daí que o título "O Golpista do Ano", além de ser um super clichê, não traduz em nada a complexidade do filme.
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Um dos casos mais emblemáticos, porém, é o de "Amnésia", cujo título original é "Memento" (algo a ver com lembrança). O negócio é que o protagonista do filme afirma umas cinquenta vezes que NÃO tem amnésia, e sim um outro tipo de problema, o que só nos leva a supor que os responsáveis pelo título não devem ter visto o filme...
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No entanto, vale lembrar que se nós muitas vezes sentimos vergonha dos títulos que os filmes recebem por aqui, temos razões para sentir uma vergonha alheia duplamente maior quando o assunto são os títulos lançados em Portugal. Lá a gente encontra "Toy Story" traduzido como "Os rivais" e "Ghost – do outro lado da vida" traduzido como "Ghost – o espírito do amor". Sem comentários, né?
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Se observarmos os títulos que estão atualmente no cinema já notamos alguns deslizes: o que, no original, é apenas RED, ganha o subtítulo de "aposentados e perigosos"; John Lennon, que no título original do filme que conta a sua vida é o garoto que não pertence a lugar nenhum (Nowhere Boy) vira "O garoto de Liverpool". Não faltam, enfim, exemplos que nos permitem concluir o quão estranha pode ser a inventividade dos criativos tradutores.

PEIXE GRANDE e suas histórias maravilhosas

Tim Burton é o diretor com uma das marcas registradas mais evidentes em seus filmes. Todos eles são focados em universos paralelos, com personagens carismáticos e excêntricos, caracterizando uma espécie de conto-de-fadas contemporâneo. Seja em universos completamente fantasiosos como em "Beetlejuice" (1988) e "O Estranho Mundo de Jack" (1993) ou com interseções entre ficção e realidade como em "Edward Mãos de Tesoura" (1990) e "Ed Wood" (1994).
A "marca Tim Burton" atinge a excelência em Peixe Grande (Big Fish). O roteiro do filme, adaptado da novela de Daniel Wallace, conta a história do simpático e cativante Edward Bloom (Albert Finney), que durante toda a sua vida foi um contador de histórias, tendo como seu principal ouvinte o filho William Bloom (Billy Crudup). O que ele não sabia era que contar tantas histórias fantasiosas repetidamente ocasionaria o afastamento do seu filho, por não reconhecer o seu pai por trás daqueles acontecimentos. Mas será que era tudo fantasia mesmo?
Após três anos sem se falarem, pai e filho estão frente a frente de novo, mas dessa vez Edward Bloom não é mais aquele jovem cheio de força e vitalidade, já que foi atingido por uma doença terminal. Com o seu pai à beira da morte, William decide embarcar nas histórias que ouviu durante toda a vida para descobrir de fato quem foi aquele homem, já que ele mesmo se misturava as histórias que contava. Em todas elas haviam figuras bem incomuns que era difícil para Will, já adulto, acreditar que aqueles personagens não eram frutos da imaginação fértil do pai.
Diferente da maior parte de seus filmes, Tim Burton pouco explora a fotografia gótica e a excentricidade em seus personagens. Em Peixe Grande o maior destaque é o drama familiar entre os protagonistas, mas não deixa de ser um trabalho brilhante em sua carreira. Esse filme é acima de tudo uma lição de vida, com valores de família e amizade, um convite para experimentar crescer com as pequenas histórias da vida sejam elas utópicas ou não.

A Rede Social (The Social Network)

♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ (7/8)
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Você não consegue 500 milhões de amigos sem fazer alguns inimigos

Em uma noite de outono em 2003, Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg), analista de sistemas graduando em Harvard, se senta em seu computador e começa a trabalhar em uma nova ideia. Apenas seis anos e 500 milhões de amigos mais tarde, Zuckerberg se torna o mais jovem bilionário da história com o sucesso da rede social Facebook. O sucesso, no entanto, o leva a complicações em sua vida social e profissional.

O filme que conta a história da criação da maior rede social digital do mundo, chegou aos cinemas, e chama à atenção não só pelos acontecimentos onlines, como também pelos bastidores. A história sombria e pouco explicada de um dos titãs da internet é repleto de muita traição.
Baseado no livro "Bilionário por acaso: à criação do facebook" de Ben Mezrich, A Rede Social tem em seu enredo personagens que ajudaram na construção da internet atual, os protagonistas Mark Zuckerberg e Eduardo Severin fundadores da rede social, interpretados por Jesse Eisenberg e Andrew Garfield, respectivamente, além de Sean Parker (Justin Timberlake), desenvolvedor do Nepstar, um dos primeiros aplicativos de download gratuito de música.

Sem dúvida esses caras influenciaram e muito o nosso comportamento. Quem não possui um perfil em uma rede social na internet, quem sabe no próprio Facebook, ou nunca baixou uma música ou vídeo? É rotineiro usarmos estas ferramentas, e só por isso o filme vale uma ida ao cinema. Se tratando de uma adaptação de um livro, que não possui uma história rápida (se passa num período de 4 anos), e fascina mais pelos mistérios do que pela agilidade, o diretor David Fincher soube utilizar muito bem o recurso de vai-vêm na história, sempre contrapondo o passado, o presente e o futuro, dando assim um bom ritmo a história.

DEMÔNIO – Cuidado com ele(a)

♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ (6/8)
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"Portanto sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar." (I Pe 5:8)

Imagine-se preso num elevador com mais quatro pessoas desconhecidas sabendo que uma delas não é o que aparenta ser. Assustador? Pois é o que acontece em "Demônio", longa dirigido pela dupla de desconhecidos Drew Dowdle e John Erick Dowdle. O filme ganhou um certo destaque na mídia porque a mente criativa de M. Night Shyamalan (O sexto sentido, A dama na água) está por trás do projeto.
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Na trama, cinco pessoas que nunca se viram ficam presas num elevador quebrado de um arranha céu comercial (o que já seria motivo de pânico). As coisas pioram quando estranhos e violentos acontecimentos começam a surgir dentro do pequeno espaço provenientes de uma ação demoníaca. Isso mesmo, uma dessas pessoas é o próprio demônio, tragando suas vítimas dentro do elevador.
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Nas palavras do apóstolo Pedro (que aparecem logo no início do filme), o diabo é um inimigo astuto que conhece muito bem as fraquezas de suas vítimas por observá-las em seus momentos mais delicados. Baseando-se nesse conceito, o filme avança e então percebemos que cada uma das cinco pessoas presas naquele elevador, possui algo em seu passado que as torna responsáveis pelo seu (terrível) destino.
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Durante os últimos anos, o nome do M. Night vem sendo vinculado a obras decepcionantes seguidos de fracasso nas bilheterias, mas agora fico feliz em dizer: o cara acertou dessa vez. Não espere um filme de terror repleto de sangue, violência e sequências de sustos. "Demônio" é antes de tudo um filme que prende o espectador por colocá-lo na tensão claustrofóbica daquele elevador. Uma ideia simples, transformada em um suspense de primeira.

"Você vai conhecer o homem dos seus sonhos" – Então tá

♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ (3/8)
"A vida é uma história contada por idiotas, cheia de som e fúria, e no final nada significa."
(William Shakespeare)

O início da nova obra de Woody Allen é um jogo antagônico de sentimentos descritos entre a citação pessimista de Shakespeare (narrada em off) e a canção alegre "When You Wish Upon a Star" (tema do Pinocchio de Walt Disney) ao fundo. Esse recurso utilizado no início de Você vai conhecer o homem dos seus sonhos pareceu interessante por quebrar logo de início a minha expectativa por mais um filme clichê sobre relacionamentos. Mas só pareceu.
Para muitas pessoas, o título dos filmes em português é motivo de revolta e ódio mortal. No caso de Você vai conhecer o homem dos seus sonhos, não há muito que fazer. O título original You Will Meet a Tall Dark Stranger – algo como: "Você vai conhecer um estranho alto e moreno"(?) – sugere o que vem pela frente: uma obra de auto-ajuda com mulheres decepcionadas em algum tipo relacionamento. Tentei não levar em conta esse ponto, mas nesse caso é justamente isso que aparece.
O filme conta a história de dois casais: Alfie (Anthony Hopkins) e Helena (Gemma Jones) e sua filha Sally (Naomi Watts), casada com Roy (Josh Brolin), abordando as suas paixões, ambições, ansiedades e, logicamente, suas insanidades. Depois que Alfie deixa Helena em busca da sua juventude perdida com uma menina liberal chamada Charmaine (Lucy Punch), Helena abandona sua própria racionalidade e entrega sua alma para uma vidente charlatão. Também infeliz no casamento, Sally desenvolve uma paixonite pelo seu elegante chefe, proprietário de uma galeria de arte, Greg (Antonio Banderas), enquanto o escritor de romances Roy, aguarda ansiosamente resposta da editora para seu último manuscrito.
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Seguindo um roteiro digno de novela mexicana, o filme torna-se irregular chegando a ser bem monótono em alguns pontos. Eu realmente estava afim de ver o novo filme do Woody Allen. Uma proposta interessante de mostrar as difíceis relações humanas através de situações do cotidiano, mas que se perde em vários eventos absurdamente forçados com atuações que ficaram devendo bastante, com exceção de Freida Pinto (Quem quer ser um milionário), numa participação espetacular no filme. Além disso, o ritmo do filme não empolga, muito menos os personagens principais que são extremamente caricatos. Uma história que no final nada significa.