João Linno

Quando li a sinopse de "A caixa" fiquei muito interessado. Uma caixa com apenas um botão em cima que ao ser acionado provocaria duas consequências: aquele que o apertou receberia imediatamente a quantia de 1 milhão de dólares (em dinheiro numa maleta), porém uma pessoa que ele não conhece vai morrer em algum lugar do mundo. A reflexão está justamente nesse ponto: "uma pessoa que ele não conhece", mas quem nesse mundo conhece outra pessoa de verdade? A pessoa morta em algum lugar do mundo poderia ser qualquer um, inclusive um filho, irmão, marido ou os pais de quem apertou o botão. 



A professora Norma Lewis (Cameron Dias) e o seu marido Arthur (James Marsden), engenheiro da NASA, vivem essa dúvida cruel: apertar o botão e ser (in)diretamente responsável por um assassinato (sem saber quem será a vítima), ou continuar vivendo em dificuldades financeiras? O fato é que o roteiro se desenrola de maneira linear até certo ponto. Norma (Cameron Diaz) aperta o botão, eles recebem o dinheiro e a partir disso a confuão começa na tela e na cabeça de quem assiste. Uma trama (descrita no início do filme) se mistura com outra já existente e elementos de transição são inseridos de maneira surreais. Portais de tempo e teletransportes começam a surgir no filme de tal forma que os personagens principais parecem estar num sonho ou mesmo delirando. 

De início, a ideia me pareceu simples e genial, nota-se uma grande semelhança com um episódio da série antiga de TV The Twilight Zone escrito por Richard Matheson, autor de contos famosos como o que originou o filme "Eu sou a lenda". Percebe-se a partir de um ponto que não precisava de 2 horas de filme para narrar uma história que pede uma condução muito mais "redonda". É o típico caso de ideia brilhante mas com graves falhas na execução, a inclusão de tantos elementos surrealistas num filme longo soou mais como uma loucura dos realizadores do que uma proposta de reflexão filosófica e torna o filme cansativo. É realmente uma pena que uma ideia boa como essa se perca nas mãos de um diretor fraco e inexperiente como Richard Kelly.

No entanto, da pra tirar algumas lições legais, é recomendável principalmente para as pessoas que não tiveram a oportunidade de assistir a série antiga que inspirou o filme ou outros trabalhos do autor Richard Matheson (que é um cara brilhante por sinal). Recomendo que assistam (num dia que estejam com a cabeça fresca e bastante paciência) e tirem sua próprias conclusões.


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